Taxa Referencial (TR): o que é, como funciona e qual o valor

Quando falamos dos setores financeiro e imobiliário no Brasil, são muitos os indicadores que influenciam nosso dia a dia: Selic, CDI, IPCA, e muitos outros. Entre todos, talvez a Taxa Referencial seja o mais presente na vida dos brasileiros.

Isso porque ela influencia o cálculo da poupança (o investimento mais popular do Brasil), do FGTS e até de alguns financiamentos imobiliários. Logo, é possível perceber que muitas pessoas convivem com os efeitos da TR, certo?

Ainda assim, nem todos sabem o que significa a Taxa Referencial, como funciona e qual é o valor dela nos dias de hoje. E você precisa conhecê-la para que ela não passe despercebida e influencie o mundo à sua volta sem que você perceba.

Então, que tal saber mais sobre ela? Continue a leitura e descubra tudo o que você precisa saber sobre a Taxa Referencial (TR)!

O que é e como funciona a TR?

Para falar sobre o que é a Taxa Referencial vale a pena voltarmos para o ano de sua criação: 1991. Naquela época, o presidente do país era Fernando Collor de Mello e havia um grave problema com a hiperinflação.

A situação era tão complexa que a inflação ultrapassou 2.400% em um curto período de tempo. Assim, os salários dos trabalhadores e os preços praticados no comércio passavam por grandes reajustes todos os dias, agravando ainda mais a realidade.

Como tentativa de controlar as dificuldades, foi lançado o Plano Collor II, com o intuito de combater a inflação e realizar uma desindexação. A definição da Taxa Referencial estava entre as medidas do plano como instrumento de correção monetária.

A TR existe até hoje, mas seus objetivos mudaram bastante, afinal,  a realidade brasileira não é mais a do início da década de 1990. 

A taxa pode ser apresentada em variações diárias e mensais. A TR diária é calculada e divulgada pelo Banco Central, correspondendo às fatias da taxa mensal. A cada 23 dias, período considerado como mês cheio, ela incide sobre os rendimentos de investimentos ou produtos atrelados ao índice,  como os financiamentos.

Para que ela serve?

Na breve retrospectiva que fizemos, você viu que o contexto de criação da TR foi a necessidade de controlar a hiperinflação pela qual o país passava. Na época, havia a indexação do valor do dinheiro em relação ao IPCA – índice de inflação oficial do Brasil.

Tal característica gerava muitos desafios diante de taxas de inflação tão exorbitantes. Por isso, a desindexação fazia parte do plano de governo. A Taxa Referencial, portanto, foi criada para substituir as correções que eram feitas segundo o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo).

O cálculo da TR cabia ao Banco Central do Brasil e havia a expectativa de que essa mudança ajudasse a controlar as oscilações do dinheiro. Contudo, não foi o que aconteceu. A situação só passou por melhorias significativas como o Plano Real, em 1994.

A partir do governo de Itamar Franco, a TR não foi mais utilizada como indicador ligado à inflação. Dessa vez, ela foi substituída pela taxa Selic – que mantém sua importância central até hoje como mecanismo de política econômica.

Então, se atualmente é a Selic que cumpre a função de tentar controlar a inflação, para que serve a TR? De fato, ela perdeu boa parte de sua importância ao longo dos anos e, nos dias atuais, a TR é um indicador adicional de juros (geralmente, seguindo os movimentos da própria Selic).

O fato é que a Taxa Referencial continua sendo usada no cálculo dos rendimentos de algumas aplicações financeiras. É o caso da poupança, dos títulos de capitalização e do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), além de alguns financiamentos imobiliários.

Qual é a relação entre a TR e os investimentos?

Já que a principal função da TR nos últimos anos tem sido participar da lógica de rentabilidade de investimentos e financiamentos, vale a pena saber um pouco mais sobre o assunto. Em primeiro lugar, é importante destacar que ela praticamente nunca aparece sozinha.

De modo geral, a TR é um dos indicadores que compõem a política de rendimentos de um determinado produto financeiro. Como seus valores costumam ser baixos, ela está sempre acompanhada de outros indicadores ou taxas prefixadas.

Acompanhe a seguir mais detalhes sobre os principais investimentos que rendem de acordo com a TR.

Poupança

A caderneta de poupança é a aplicação mais popular do Brasil, provavelmente pela facilidade do seu uso no dia a dia. Afinal, basta abrir uma conta em um banco e movimentar os valores por meio de depósitos, transferências, cartão de débito etc.

Contudo, em termos de rentabilidade, é comum ouvir que a poupança não é o melhor investimento. De fato, em décadas passadas, a poupança trazia resultados mais interessantes. Porém,  algumas mudanças na forma de rendimento e na própria TR ao longo do tempo diminuíram sua atratividade.

Até 2012, a poupança rendia a uma taxa fixa de 0,5% ao mês + TR. Depois desse ano, passaram a existir duas regras de rentabilidade:

  • se a taxa Selic estiver acima de 8,5% ao ano, a poupança rende a 0,5% ao mês + TR – mantendo a lógica tradicional;
  • se a taxa Selic for igual ou menor do que 8,5% ao ano, o rendimento passa a ser correspondente a 70% da Selic + TR.

Como você pode ver, a TR funciona como um incremento da rentabilidade da caderneta de poupança. 

FGTS

O FGTS não se configura exatamente como um investimento. Ele não é feito de maneira autônoma, mas é um direito trabalhista de todos que atuam pelo regime CLT. Os profissionais com carteira assinada têm, portanto, essa espécie de poupança obrigatória.

As empresas empregadoras devem realizar o depósito de um percentual do salário na conta do FGTS do trabalhador. O dinheiro só pode ser resgatado em algumas situações específicas, como no caso de demissão.

Enquanto o resgate não é autorizado ou realizado, a quantia fica rendendo na conta. A rentabilidade é definida pelo Governo e refere-se a uma taxa prefixada – atualmente, de 3% ao ano + TR.

Como o dinheiro rende a taxas de juros baixas, assim como a poupança, o FGTS geralmente costuma perder valor para a inflação, já que o IPCA, normalmente, é maior do que o rendimento do fundo.

Títulos de capitalização

Títulos de capitalização são produtos financeiros oferecidos por bancos e estão entre os únicos que utilizam a Taxa Referencial como principal indicador de rentabilidade. Com isso, constituem-se como aplicações pouco vantajosas nos últimos anos.

Eles funcionam por meio  de depósitos frequentes, que ficam retidos no banco até a data de vencimento. Além da rentabilidade da TR, os títulos de capitalização oferecem sorteios de prêmios ao longo do tempo.

Tesouro Direto

Os títulos públicos são exemplos de investimentos com participação da TR no passado. Isso porque, alguns anos atrás, havia aplicações ligadas diretamente a essa taxa: eram o NTN-H e o NTN-P. Entretanto, eles não estão mais disponíveis no programa do Tesouro Direto.

Isso porque, quando a Taxa Referencial estava alta, os títulos eram considerados atrativos. Depois, com a queda nos valores da TR – sobre a qual falaremos a seguir – esses investimentos foram descontinuados. 

Atualmente, as opções disponíveis no programa Tesouro Direto, do Governo Federal, são atreladas à Selic, ao IPCA ou a taxas prefixadas.

Qual é a relação da TR com o setor imobiliário?

Além dos investimentos, a Taxa Referencial também tem um papel importante no setor imobiliário,  mais precisamente nas linhas de crédito para financiamento de imóveis.

Isso porque diversos financiamentos de imóveis são atualizados e reajustados monetariamente pela taxa referencial (TR). Dessa forma, ela pode influenciar diretamente o valor das parcelas do financiamento imobiliário.

Portanto, se você tem ou pensa em tomar crédito para adquirir um imóvel, conhecer melhor a TR e como ela pode afetar suas linhas de crédito é fundamental.

Taxa Referencial hoje: onde encontrar?

Agora você já sabe o que é a TR, quando ela foi criada e quais foram as modificações que ela sofreu em relação ao seu uso nos últimos anos. Mas, afinal, onde encontrar os valores da Taxa Referencial hoje?

Você pode acompanhar o índice pelo site do Banco Central do Brasil, que é o responsável pelo cálculo e pela divulgação da Taxa Referencial. É ele quem coleta os dados relacionados às taxas de juros para chegar ao valor da TR em cada período.

Então, quem tiver interesse em saber o valor da Taxa Referencial para conferir rendimentos da poupança e do FGTS ou mesmo para simular financiamento imobiliário pode fazer isso por meio da calculadora do cidadão.

Como a TR é calculada?

Depois de saber onde encontrar a TR quando for necessário, que tal entender como se dá o cálculo da taxa? O Banco Central realiza o processo para definir o valor da Taxa Referencial em determinado dia ou mês.

Desde 2018, o cálculo se dá pelas taxas de juros das Letras do Tesouro Nacional (LTN). Por isso, a TR tem relação com a taxa Selic.

Observe as fórmulas para chegar ao resultado da Taxa Referencial. Inicialmente, é preciso achar o índice redutor, que é dado pela seguinte equação:

R = a + b x TBF

Onde:

  • a — representa o valor fixo 1,005. Ele foi definido na criação da TR e tem o intuito de impedir que ela tenha valores negativos;
  • b — é uma incógnita que depende do valor da TBF e é divulgado pelo próprio Banco Central;
  • TBF — é a Tarifa Básica Financeira, obtida a partir das taxas de juros das LTN.

O objetivo da equação acima é encontrar o valor de R para ser aplicado na fórmula a seguir:

TR = 100 x [(1 + TBF)/R) – 1]

Assim, chega-se ao valor final da TR que é divulgado.

Por que a TR está zerada?

Quem confere o valor da TR pode se surpreender descobrindo que ela está zerada. De fato, nos últimos anos ela tem apresentado valores muito baixos e até zerado em vários meses.

Vale destacar que a TR nunca pode resultar em um valor negativo. Mesmo se o cálculo indicar um resultado negativo, ele será convertido para zero.

É importante saber disso para ter certeza de que as aplicações como a poupança e outros produtos que comentamos anteriormente não podem sofrer influência de valores negativos, ou seja, causando perda nos rendimentos.

Quais foram as taxas referenciais nos últimos anos?

Até aqui, compartilhamos diversas informações relevantes sobre a TR, na teoria. Chegou a hora de conhecê-la na prática e observar alguns detalhes acerca do histórico desse indicador na economia brasileira.

Na tabela a seguir, você verá a evolução da taxa desde sua criação, em 1991, até o ano de 2018. Note como os valores mudaram bastante ao longo do tempo.

AnoTaxa TR (%)
1991335,52%
19921156,22%
19932474,74%
1994951,20%
199531,62%
19969,56%
19979,78%
19987,79%
19995,73%
20002,10%
20012,29%
20022,80%
20034,65%
20041,82%
20052,83%
20062,04%
20071,45%
20081,63%
20090,71%
20100,69%
20111,21%
20120,29%
20130,19%
20140,86%
20151,80%
20162,01%
20170,60%
20180,00%

É possível perceber que, nos primeiros anos depois de sua criação, a TR apresentava valores muito altos, sendo utilizada como mecanismo de controle da inflação. Após a mudança que citamos com o Plano Real em 1994, a situação mudou.

A Taxa Referencial foi caindo gradativamente. E alguns aumentos pontuais – como em 2003 e entre 2011 e 2016 – marcaram períodos de maior dificuldade em relação à inflação e à economia brasileira de modo geral.

A partir de 2016, a TR voltou a diminuir e, nos últimos meses de 2017, chegou à taxa zero, que se manteve nos anos seguintes, especialmente por causa dos cortes sucessivos na taxa Selic. 

Taxa referencial 2019

Veja, agora, a tabela referente aos valores mensais da TR em 2019:

MêsTaxa TR (%)
Janeiro0,00%
Fevereiro0,00%
Março0,00%
Abril0,00%
Maio0,00%
Junho0,00%
Julho0,00%
Agosto0,00%
Setembro0,00%
Outubro0,00%
Novembro 0,00%
Dezembro0,00%

Perguntas frequentes sobre a TR

Estamos chegando ao final do nosso conteúdo completo sobre TR. Depois de todas as informações que compartilhamos, você sabe tudo o que precisa acerca da Taxa Referencial. 

É importante, no entanto, conhecer também algumas dúvidas frequentes que muitos cidadãos possuem a respeito dela.

Confira agora algumas das perguntas recorrentes sobre a Taxa Referencial.

Qual é o papel da TR no financiamento imobiliário?

No início do post, falamos que a TR também participa da correção de alguns financiamentos imobiliários, como o financiamento da Caixa Econômica Federal, por exemplo. 

É importante destacar, no entanto, que nem todos os cálculos de financiamento  consideram essa taxa.

Ela é utilizada quando o crédito é oferecido pelo Sistema Financeiro de Habitação (SFH). Quem faz um financiamento desse tipo tem os valores corrigidos pela TR + taxa de juros fixa, que é definida pelo próprio banco.

Assim, se você possui ou está buscando um financiamento imobiliário, provavelmente vai se deparar com a Taxa Referencial em algum momento.

Qual é a relação da TR com a Selic?

Analisando os últimos anos, é possível perceber que o processo de redução da taxa Selic foi acompanhado da diminuição da TR até que ela fosse zerada. De fato, a trajetória dos dois indicadores se dá de maneira bastante próxima.

A explicação é simples: como a taxa Selic tomou o lugar de principal índice de referência, a TR acompanha sua movimentação. Apesar disso, seu valor costuma ser bem menor em comparação com a Selic, uma vez que ela também depende das políticas econômicas do Governo.

Investimentos atrelados à TR são vantajosos?

Como você viu neste post, a TR perdeu importância e passou a ter valores muito baixos ao longo da história brasileira. Consequentemente, os investimentos atrelados a ela não estão entre os mais vantajosos do mercado.

Considere, por exemplo, os títulos de capitalização. Se o rendimento deles se dá a partir da TR, significa que o dinheiro não rende nada desde setembro de 2017. A poupança, apesar de apresentar uma taxa maior, também perde para a inflação em muitos momentos.

Por isso, vale a pena considerar outros investimentos mais interessantes, como aqueles atrelados à Selic, ao IPCA ou a taxas prefixadas, por exemplo.

Por outro lado, se o seu objetivo é tomar crédito a partir do financiamento imobiliário, por exemplo, ter uma TR zerada pode resultar em uma economia no montante a ser pago à instituição financeira.

Agora você entende tudo sobre a Taxa Referencial. Viu como é importante conhecer mais sobre esse indicador que já afetou e que ainda está presente na vida de tantos brasileiros? Será que seus familiares e amigos sabem o que é e como funciona a Taxa Referencial? Então compartilhe o post nas suas redes sociais e partilhe conhecimento!

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