Desmistificado: Fachadas de vidro em residenciais

O uso do vidro na arquitetura é uma prática bem antiga. No Renascimento, quando era um material caríssimo, ele foi usado na construção de residências para mostrar poder e status de famílias italianas. De diferentes formas ao longo do tempo, esteve sempre presente para trazer transparência, leveza e luz às edificações.

Até hoje o vidro exerce seu fascínio, sendo um dos elementos mais representativos do movimento moderno a partir dos anos 20.

Palácio do Itamaraty. Vidro é um importante elemento na arquitetura moderna.

Mocinho ou vilão

Bastante comum em edifícios comerciais, a fachada de vidro tem sido cada vez mais  utilizada para conferir sofisticação e modernidade a empreendimentos residenciais. O elemento nobre garante imediata valorização estética do imóvel, refletindo até no seu valor de mercado.

Mas, quando o assunto é vantagens e desvantagens, a fachada de vidro tem uma fama muito controversa.

Ao mesmo tempo que permite maior penetração da incidência solar de forma a reduzir os gastos com iluminação, permite também a entrada do calor, tornando o uso do ar-condicionado quase sempre obrigatório. Essa característica já a fez ser considerada a vilã dos edifícios sustentáveis.  

Há, porém, algumas alternativas para driblar a dependência do ar-condicionado. O primeiro cuidado deve ser tomado no momento do projeto: Características físicas do local devem ser consideradas bem como clima da região e orientação solar do edifício.

Brises e outros elementos construtivos também são ferramentas que podem ser utilizadas para barrar o calor excessivo enquanto permite a entrada de luz natural.

Brises: elementos físicos integrados à fachada que barram os raios solares e contribuem para um maior conforto térmico.

No entanto, na maioria das vezes, a especificação correta do vidro pode ser o fator decisivo. Graças a novas tecnologias do setor, hoje é possível que um prédio com fachada de vidro tenha um bom desempenho energético, térmico e acústico.

O vidro certo no lugar certo

As tecnologias de acabamento nos vidros vão das mais simples como a textura serigrafada, às mais sofisticadas como vidros tecnológicos com baixo índice de refração de ondas infravermelhas, para impedir que o calor passe junto com a luz.

Em entrevista à AECweb, a arquiteta Claudia Mitne, especializada e atuante no segmento há mais de 15 anos, fala sobre a especificação de vidros adequados a cada projeto.

Vai depender do tipo de atenuação desejada, porque a freqüência é uma variável muito importante que define qual o tipo de vidro será a melhor barreira. Às vezes, é resolvida somente com a espessura do vidro, em outros casos necessita-se de vidro + PVB (polivinilbutiral). E chegamos ao máximo com vidros duplos insulados compostos com vidros laminados, produzindo uma barreira diferenciada”.

O vidro é chamado laminado quando possui duas ou mais lâminas em sua composição unidas por polivinil butiral (PVB) ou resina. Seu principal atributo é a segurança pois, quando quebrado, os fragmentos ficam colados ao PVB. Além de evitar lesões físicas aos usuários, em caso de acidente, o vão permanece fechado. Por isso, esse é o tipo de vidro mais utilizado em pisos, guarda-corpos e fachadas.

Além de laminado, o vidro pode ser ainda temperado. O tratamento assegura a resistência da peça, potencializa o conforto acústico e a proteção contra raios UV. O vidro temperado é cinco vezes mais resistente que um vidro comum de mesmo tamanho e espessura. É comumente aplicado em térreos de edifícios comerciais,  shoppings, lojas e restaurantes.

O vidro serigrafado é muito utilizado com fins decorativos, mas também possui propriedades térmicas.

Vidros de controle solar

Para desfrutar do maior benefício do vidro, ou seja, o aproveitamento de luz solar sem comprometer o conforto térmico do ambiente, é  indicado a aplicação de vidros de controle solar. Os mais utilizados são os reflexivos e o low-e. Eles são formados a partir da deposição de camadas metalizadas e funcionam como um filtro que bloqueia a entrada de calor.

O vidro reflexivo possui alta capacidade de absorção de luz solar e, como o próprio nome diz, reflexão. Isso garante maior conforto térmico, porém, uma transmissão de luz menos intensa.

Vidros com acabamento low-e são mais neutros se comparados aos reflexivos, permitindo uma maior integração com o ambiente externo e aproveitamento da luz natural, além de garantir maior controle da entrada de calor.

Por seu excelente desempenho térmico e efeito estético superior, tem sido amplamente utilizado para fins residenciais.

O Vitra da JHSF, é um caso de sucesso.

Assinado por Daniel Libeskind, um dos arquitetos mais premiados do mundo, o empreendimento já foi considerado pela revista Worth um dos dez melhores edifícios residenciais do mundo.

“Vitra é um novo conceito de residência em condomínio. Com sua forma esculpida e cristalina, cria um novo ícone para a cidade de São Paulo”

Daniel Libeskind

O edifício possui o selo AQUA e práticas sustentáveis, provando também que a fachada de vidro pode ser amiga do meio ambiente.

Veja a seguir outros projetos residenciais com fachada de vidro.

Fachada do Downtown República, da Setin.
Downtown República .
Horizonte JK, edifício multifuncional no Itaim Bibi.
Horizonte JK.

E você, o que acha de residenciais com fachada de vidro?

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