Paulo Mendes da Rocha – Biografia e obras

paulo mendes da rocha

Paulo Mendes da Rocha (1928-2021) nos presenteou com o legado de que a arquitetura, bem como a cidade, é coletiva e pública, materializando obras onde a vida é a protagonista do espaço, que contém e que, simultaneamente, liberta.

Com uma vida dedicada ao fazer arquitetônico e social, o também professor nos ensinou a perceber o coletivo que habita em cada um de nós e que se materializa em forma de cidade. 

Paulo Mendes da Rocha: Desde o início, arquitetura

Paulo Mendes da Rocha nasceu em Vitória, no Espírito Santo, em 1928, onde passou a infância e o início da adolescência junto à família. Filho de um engenheiro de portos e navegações, cresceu acompanhando o pai em suas obras. É neste viver em meio ao que ele mesmo chama de  “os engenhos que transformam as coisas” que compôs sua visão de mundo e, portanto, sua maneira única de fazer arquitetura. 

O arquiteto capixaba chegou a São Paulo, no início da década de 1950, para cursar a faculdade de arquitetura. Poucos anos depois de formado, com apenas 29 anos, venceu o concurso de arquitetura para projetar o edifício do Ginásio do Clube Atlético Paulistano.

Esse início de carreira triunfante, ainda muito jovem, abriu importantes portas para o caminho de Paulo na arquitetura. Logo após o destaque no concurso, foi convidado pelo arquiteto João Vilanova Artigas a dar aulas de projeto de arquitetura na Faculdade de Arquitetura da Universidade de São Paulo, instituição onde Paulo constituiu sua carreira como docente durante mais de 20 anos.

Sua obra é internacionalmente conhecida, estudada e premiada. Em 2006, Paulo Mendes recebeu o Prêmio Pritzker de Arquitetura, maior prêmio internacional na área. Mais recentemente, em 2016, foi-lhe outorgado o Prêmio Leão de Ouro, em Veneza, na categoria arquitetura, pelo conjunto da obra.

Casa Butantã. Vista exterior da escada de acesso, projetada por Paulo Mendes da Rocha.
Casa Butantã conectada à natureza. Fonte: Nelson Kon

A precisão da simplicidade 

A obra de Paulo Mendes ultrapassa tamanhos e funções. É simultaneamente íntima, pública, coletiva, precisa. A razão da sua arquitetura, tal como diz o arquiteto, é “amparar a imprevisibilidade da vida”.

Paulo Mendes parte do princípio de que a arquitetura é arte, ciência e técnica. Com a precisão da técnica, o saber científico e o entendimento estético, o arquiteto consegue, com base na complexidade de um projeto de arquitetura, extrair a simplicidade. Suas obras são sinônimo de poucos elementos, criados com exatidão para determinado problema. São edifícios únicos, intrínsecos ao lugar onde estão. 

Essa simplicidade exata, presente nas formas e nos materiais, traz a característica mais nobre das obras de Paulo Mendes: a acessibilidade. São edifícios que nos convidam a entrar, ficar e desfrutar o momento.

E a natureza?

Paulo Mendes da Rocha traz para suas obras uma maneira de entender a natureza de forma muito própria. Para o arquiteto, a natureza é bela, dependendo do ponto de vista que se observa. Ele mesmo faz uma brincadeira com o verso de Tom Jobim: “da janela vê-se o Corcovado / o Redentor que lindo”. Um discurso extraordinário, segundo o arquiteto, onde o importante da frase é a janela, porque a paisagem é bonita quando vista através dela. Essa janela está justamente em um edifício em Copacabana, um bairro construído verticalmente, onde se tem o necessário para sobreviver. A partir disso surge a contemplação, a possibilidade de tal vista. 

Para o arquiteto, natureza é projeto, sua beleza está na possibilidade de transformação por meio do homem.

Da casa à praça

Com mais de 60 anos projetando arquitetura, Paulo Mendes da Rocha apresenta edifícios desde a escala doméstica à coletiva, de casas unifamiliares a edifícios públicos, passando por praças e centros culturais. Embora boa parte de sua obra esteja na cidade de São Paulo, o arquiteto também conta com projetos em Portugal, no Japão e no Uruguai, por exemplo. 

Casa Butantã

Casa Buntantã. Vista interior da área comum em frente aos dormitórios. Janela longa de vidro com vista para o exterior.
Casa Butantã. Fonte: Nelson Kon

No início dos anos 1960, Paulo decidiu projetar uma casa para viver com a sua família. Localizada no bairro do Butantã, em São Paulo, a casa, que recebe o nome do bairro onde se localiza, é até hoje um dos projetos mais estudados do arquiteto. 

Paulo conta que projetou a casa para seus filhos, na época ainda crianças. Com o desejo de uma casa com área para brincar, o arquiteto criou um espaço contínuo. Com base na decisão estrutural da casa, resolvida em somente 4 pilares de apoio, surgiu uma planta livre de obstáculos.

Os ambientes são divididos por paredes finas, que não chegam a tocar o teto da casa, e a fluidez do espaço coletivo vence o íntimo. Uma casa para conviver. 

Museu Brasileiro da Escultura e Ecologia – MUBE

Vão livre do MUBE, que foi projetado por Paulo Mendes da Rocha.
Vão livre do MUBE – Museu Brasileiro da Escultura. Fonte: Nelson Kon

Como um monolito a voar no ar avista-se o Museu Brasileiro da Escultura e Ecologia, o MUBE, projetado por Paulo Mendes, em 1988. Localizado em um bairro residencial de baixa densidade e altura, na cidade de São Paulo, o projeto nasceu da vontade de não incomodar a serenidade do entorno. 

Uma praça com sombra, um teatro aberto, uma peça de concreto armado de 60 metros por 12 metros, um vão: é tudo o que se percebe do edifício à primeira vista. O museu em si está abaixo do nível da rua. A cobertura do museu se faz de chão de praça. Um convite à cidade. 

Pinacoteca de São Paulo

Passarela da Pinacoteca de São Paulo, projetado por Paulo Mendes da Rocha.
Passarela da Pinacoteca de São Paulo. Fonte: Nelson Kon

Construído no final do século XIX, para abrigar o Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, o edifício estava inacabado quando, em 1993, Paulo Mendes da Rocha foi convidado a projetar a reforma deste e adequá-lo às necessidades de um museu. 

Inicialmente o acesso ao edifício dava-se pela Avenida Tiradentes; com o desenvolvimento da cidade de São Paulo, tal via adquiriu maior escala e fluxo rápido, não sendo muito conveniente para o acesso agradável dos pedestres ao novo museu. Por isso, uma das primeiras intenções do projeto de Paulo Mendes para a reabilitação do edifício foi rotacionar o acesso principal, e portanto o percurso dentro do prédio. Para realizá-lo era necessário atravessar os pátios do edifício existente. Tal como uma andorinha num voo rasante, Paulo criou pontes que cruzam o vazio, permitindo a circulação direta de ponta a ponta do edifício, transformando a Pinacoteca de São Paulo.  

Paulo Mendes decidiu preservar a preexistência tal como estava na época e incluir os elementos necessários para o uso funcional do espaço. Manteve, por exemplo, a fachada inacabada, sem reboque e pintura, dando valor ao material da que é feita: tijolos de campo. Os novos elementos, como passarelas, escadas e elevadores, são metálicos, leves e esbeltos, contrastando com o que já havia de pesado e antigo no edifício. 

SESC 24 de Maio

Café da piscina no SESC 24 de Maio, projetado por Paulo Mendes da Rocha.
Café da piscina no SESC 24 de Maio. Fonte: Nelson Kon

O SESC 24 de Maio, em São Paulo, também foi projetado por Paulo Mendes da Rocha, desta vez em conjunto com o escritório de arquitetura MMBB, que realiza projetos em parceria com o renomado arquiteto.

Situado no coração da cidade, na rua 24 de Maio, como o próprio nome do edifício, o projeto foi realizado com base no que já havia no terreno e partiu da premissa de aproveitar ao máximo a construção anterior, retirando apenas o que fosse necessário para a criação de espaços mais amplos e adequados para compor o programa do SESC, o que foi feito com muita funcionalidade e criatividade. 

Por se tratar de um edifício em altura, cada andar corresponde a uma atividade. Por meio de rampas que percorrem do térreo à cobertura do prédio, é possível observar cada uma das ocupações, andar por andar, de maneira lúdica.

A gentileza maior do edifício acontece em seus últimos andares: na cobertura, a piscina recreativa; embaixo dela, à sombra, um mirante para a cidade. O último andar coberto do edifício é singular, aberto, um espaço de convívio para conversa, brincadeira, pausa.

Vista aérea de São Paulo, com o SESC 24 de Maio ao centro.
Vista aérea de São Paulo, com o SESC 24 de Maio ao centro. Fonte: Nelson Kon

No final, tudo é projeto

Para o arquiteto em que tudo é projeto, a cidade é construção, é suprema obra da arquitetura. É construção, realização de uma imaginação. É lugar para conversa humana, para o viver coletivo. 

É para o pai, e com ele, que a filha, Joana Mendes da Rocha, em conjunto com Patricia Rubano, dirige o documentário longa-metragem sobre a vida e a obra de Paulo.

Cartaz de lançamento filme “Tudo é Projeto”, sobre a obra de , projetado por Paulo Mendes da Rocha.
Cartaz de lançamento filme “Tudo é Projeto

Intitulado “Tudo é Projeto”, o filme conta, por meio de entrevistas do pai à filha, a história da obra do arquiteto. É por meio da fala de Paulo Mendes que se pode compreendê-lo melhor. 

Leia mais sobre a obra de Paulo Mendes da Rocha

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