Sesc Pompeia – Que prédio é esse?

O centro de cultura e lazer Sesc Pompeia foi projetado pela arquiteta modernista ítalo-brasileira Lina Bo Bardi.

Responsável por notáveis projetos, como o Museu de Arte de São Paulo (MASP), a Casa de Vidro, o Teatro Oficina e o Museu de Arte da Bahia (MAM-BA), Lina instalou seu escritório na obra em 1977 e, por meio de muito planejamento, transformou o local em um espaço de convívio, cultura e lazer.

Sesc Pompeia

O Serviço Social do Comércio, também chamado de Sesc, é uma rede de complexos de cultura e lazer. Somente em São Paulo há 19 unidades, a maior parte delas concentrada na capital. É certamente um dos principais espaços de cultura do país.

Situado na Pompeia, o prédio possui um design muito específico e sua construção durou  dez anos. A proposta inicial para a sua construção era uma arquitetura mais voltada para o método artesanal, exprimindo simplicidade e modéstia em cada parte do projeto.

Sesc Pompeia e suas janelas vistas de baixo para cima.
Fonte: Abril

Ao observar o prédio, é possível perceber que  as janelas se destacam por seu formato diferenciado: buracos irregulares. Isso porque Lina se inspirou em cavernas pré-históricas, e a função das janelas é permitir diferentes visões da paisagem, além de produzir uma ventilação específica.

A primeira parte da unidade foi inaugurada em maio de 1982, porém o projeto foi idealizado seis anos antes, quando a arquiteta conheceu a fábrica de tambores dos irmãos Mauser, criada em meados de 1930.

Funcionários trabalhando na antiga  fábrica de tambores, onde o Sesc funciona nos dias de hoje.
Fonte: Sesc SP

Embora a ideia fosse criar um novo Centro Cultural e Desportivo, a estrutura original da fábrica foi mantida e reabilitada às novas funções. O Sesc Pompeia, portanto, foi construído com base nela. Somente em 1986 a área destinada aos esportes foi aberta para a visitação do público.

Formado por duas torres de concreto conectadas por oito passarelas, além de uma torre cilíndrica de 80 metros, a área chama a atenção pela grandiosidade de sua estrutura, moldada pelo engenheiro francês François Hennebique (1842-1921).

Espaços pensados

Interior do Sesc Pompeia projetado com um imobiliário que estimula a convivência.
Fonte: Mídia Turis

A preocupação de Lina era projetar toda a ambientação do espaço, incluindo o mobiliário, de maneira a estimular a convivência. Utilizando diferentes acabamentos e métodos construtivos, ela planejou o programa de ocupação, bem como as soluções arquitetônicas para instituir ambientes convidativos.

Partindo da ideia de criar espaços democráticos e acessíveis, a arquiteta optou por utilizar materiais resistentes e de fácil manutenção. Já a inspiração para cada local partiu de diversas referências.

O uso de paralelepípedos e tijolos foi uma escolha pensada para evocar a memória afetiva dos moradores da cidade. Por valorizar os materiais brasileiros, Lina utilizou muitos deles em inúmeros espaços do Sesc Pompeia. Os caquinhos de cerâmica colorida, por exemplo, cobrem o chão dos banheiros e foram inspirados em uma tradição popular brasileira de uso de materiais descartados.

Nas caixas-d’águas, foram usados estopas que possuem uma textura que lembra um bordado. De acordo com Lina, trata-se de uma homenagem ao arquiteto mexicano Luis Barragán e suas Torres Satélite, localizadas na cidade do México.

As galerias laterais do teatro, por sua vez, foram inspiradas no Teatro Elisabetano (século XVI) e na Maison du Peuple, projeto do arquiteto belga Victor Horta em Bruxelas (século XIX), locais com muita participação do público.

Fonte: SP City

As mesas coletivas que compõem os espaços foram inspiradas nas mesas das antigas tabernas e choperias europeias. Sua criação é um estímulo para conversas e para o convívio social.

A área destinada à prática esportiva do Sesc Pompeia possui piscina, ginásio e quadras. Há também um grande deck/solarium com espelho-d’água e cachoeira, construído por causa da existência do córrego canalizado, chamado Córrego das Águas Pretas, que está entre as passarelas.

Além de salas equipadas para ginástica, luta e dança, há vestiário e ateliês de arte para aulas de cerâmica, pintura, marcenaria, tapeçaria, gravura e tipografia. Há também laboratório fotográfico, estúdio musical, teatro com 746 lugares, restaurante self-service, lanchonete e choperia (funciona somente à noite).

Biblioteca de lazer, espaço para jogos e atividades e galpão de exposições completam a programação.

Compartilhar, socializar e conviver

Galpão de Convivência do Sesc Pompeia com bancos e poltronas que incentivam a interação entre as pessoas.
Fonte: Casa Vogue

Lina decidiu trazer uma espécie de desafio por meio do projeto. No espaço chamado “Galpão de convivência”, a arquitetura é um convite para exercitar a tolerância, já que se trata de um espaço completamente democrático.

A ideia desse espaço é não hierarquizar nenhum usuário ou área presentes nele. A proposta é que sejam realizadas o maior número de atividades possíveis, simultaneamente (o que também inclui o ócio).

Ela chamou essa proposição de “solidão compartilhada”, a fim de contemplar um exercício de não isolamento em espaços arquitetônicos.

Programação do Sesc Pompeia

Teatro do Sesc Pompeia com palco e plateia interativa.
Fonte: Veja Abril

Muito movimentado, o Sesc Pompeia recebe, em média, 1,25 milhão de visitantes por ano e 5 mil pessoas por dia. Ótimos números levando em consideração que um dos pontos principais, de acordo com Lina, é a integração entre a população e a cidade.

O centro de cultura e lazer conta com cerca de 120 atrações musicais ou teatrais por mês.

A programação inclui espetáculos, shows, debates, mostras expositivas, oficinas de criatividade, rodas de conversa, aulas abertas, campeonatos de diversos esportes, atividades recreativas, dentre outras atividades.

Sesc Pompeia

Endereço: Rua Clélia, 93, Pompeia, São Paulo | CEP: 05042-000

Telefone: (11) 3871-7700

Horário de funcionamento: Terça a sábado: 10h às 22h | Domingos e feriados: 10h às 19h

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