Louis Kahn – Biografia e obras

Louis Kahn pensando, de perfil.

Louis Kahn é considerado um dos mais importantes arquitetos a influenciar os estilos Modernista e Brutalista, afinal as suas obras extraem possibilidades surpreendentes da crueza do material e das formas.

A trajetória de atuação do arquiteto mostra toda a sua flexibilidade de trabalho na área teórica e também na projetual.

Louis Kahn e a vocação artística

Louis Isadore Kahn nasceu na Estônia em 1901 e aos cinco anos de idade mudou-se com a família para a Filadélfia, nos EUA, devido à guerra entre a Rússia e o Japão. Kahn naturalizou-se estadunidense e lá viveu durante toda a sua vida.

Desde muito jovem apresentou interesse artístico na música, sendo um habilidoso pianista, além de talento natural para o desenho. Tanto que, na infância, os gravetos queimados e os fósforos se tornaram material para a representação de seus traços.

Essa mesma habilidade levou Louis a cursar arquitetura, formando-se em 1924 pela Universidade da Pensilvânia. 

Louis Kahn debruçado em pranchas de desenho arquitetônico.
A habilidade artística impulsionou Louis Kahn a cursar arquitetura. Fonte: Pinterest

A carreira de Louis Kahn

Os seus primeiros trabalhos no ramo foram em escritórios como o de Paul Philippe Cret, nos quais adquiriu experiência em projetos diversos, de residências a estruturas para exposições.

Nesse meio tempo, organizou um grupo de pesquisa para estudo das condições de moradia na Filadélfia, envolvendo-se intensamente com a produção de moradias para pessoas em situação de vulnerabilidade social.

Essa primeira fase de sua carreira representa a solidificação do seu pensamento teórico e foi marcada também pelo ensinar arquitetura, pois, no ano de 1940, iniciou a sua carreira de professor. Louis Kahn lecionou até os últimos dias de sua vida, atuando em escolas de ensino superior como Yale e a própria Universidade da Pensilvânia, na qual se graduou.

Louis Kahn lecionando, rodeado por alunos, especialmente homens.
Ensinar arquitetura fez parte de toda a trajetória de Louis Kahn. Fonte: Pera Museum

O segundo período de sua carreira foi marcado por uma viagem que fez à Roma e à Grécia, deixando impressões que mudaram a sua vida para sempre. As impressionantes ruínas foram retratadas pelo arquiteto por meio de belos desenhos e pinturas à mão.

Desenho com tons terracota, vermelho, preto e amarelo.
As pinturas de Louis Kahn expressam a forte conexão que teve com as ruínas e as paisagens da Europa. Fonte: Pinterest

As ruínas e as construções monumentais serviram de referência para as obras de sua autoria, consolidando os seus pensamentos acerca da arquitetura.

 Espírito nômade

No ano de 1930, Louis Kahn casou-se com Esther Virginia Israeli, com quem permaneceu durante toda a sua vida e teve uma filha, Sue Ann Kahn. No entanto, o seu modelo de vida e o formato de trabalho custou a convivência e a estabilidade familiar.

Segundo alguns colegas de trabalho, o arquiteto possuía espírito nômade, pois, assim que voltava de viagem, trabalhava no escritório por dois ou três dias intensamente e fazia novamente as malas para partir.

Louis Kahn em uma de suas viagens, admirando a paisagem e arquitetura do local.
A vida de Louis Kahn foi marcada por intensos períodos de viagens e trabalho. Fonte: Pinterest

Outras pessoas com as quais trabalhou descreveram Louis como alguém que “amava a todos” e tinha uma nítida vontade de tornar melhor a vida do máximo de pessoas possível, por meio da arquitetura. Tanto que, por vezes, estava imerso em trabalho e não se dedicava aos mais próximos. 

Anne Tyng foi uma dessas importantes conexões que influenciou na vida pessoal e no trabalho de Louis. A arquiteta trabalhou por anos no escritório dele, auxiliando na idealização dos projetos. Posteriormente, tiveram uma filha, Alexandra Tyng.

Louis Kahn conversando com Anne e um homem, em seu escritório. Todos estão em volta de uma prancheta com desenho.
Anne Tyng trabalhou em grandes projetos ao lado de Louis Kahn. Fonte: Pinterest

Harriet Pattison é outra figura marcante na vida e na obra de Louis. A arquiteta paisagista assinou projetos ao lado dele e dividiu uma grande porção de sua jornada, tendo um relacionamento amoroso que durou 15 anos com o arquiteto do qual teve um filho, Nathaniel Kahn.

Louis Kahn e Harriet sentados na grama.
Louis Kahn e Harriet Pattison desenvolveram diversos projetos em parceria. Fonte: The Guardian

Louis Kahn viveu e trabalhou intensamente, visitou diversos países e teve três filhos ao todo: Alexandra Tyng, Sue Ann Kahn e Nathaniel Kahn. Por fim, no ano de 1974, faleceu em uma estação de trem nos Estados Unidos.

O desejo de essencialidade

Segundo o arquiteto, da mesma maneira que “uma rosa quer ser uma rosa”, deve-se entender o que o edifício deseja se tornar. Assim, antes de projetar, Kahn procurava um estado de neutralidade para chegar a essa compreensão e, então,  colocar as suas ideias no papel.

Croqui de um dos projetos de Louis Kahn, utilizando formas puras, como círculos e quadrados, para representar as suas ideias.
Louis Kahn utilizava formas puras na concepção de seus projetos. Fonte: Universidade da Pensilvânia

Essa vontade de descobrir o essencial para, posteriormente, colocar as suas ideias, foi uma das características mais marcantes em toda a obra de Louis Kahn. Acompanhando não só a sua carreira como projetista, mas também fazendo parte da teoria que difundiu nas universidades enquanto professor.

Importantes obras de Louis Kahn

A quantidade de projetos que levam a assinatura do arquiteto é relativamente pequena, mas, ao mesmo tempo, muito diversa, indo desde casas para famílias até monumentais edifícios públicos. De fato, é a qualidade de cada um de seus trabalhos, independentemente de números, que torna Louis Kahn mundialmente reconhecido.

Conheça, a seguir, algumas de suas principais obras:

Trenton Bath House

A casa de banho faz parte do Centro da Comunidade Judaica, localizado em Nova Jersey, e foi a primeira oportunidade que Louis encontrou para aplicar as suas impressões sobre a arquitetura antiga. Anne Tyng participou desse projeto, exercendo forte influência nas formas e na concepção da estrutura. Segundo ela, Louis se encontrou nesta obra.

Cada uma das partes é coberta por um telhado de 4 águas.
A estrutura é composta por quatro volumes quadrados e telhados que parecem flutuar. Fonte: Flickr

A Trenton Bath House é composta por quatro volumes quadrados que se tocam em suas pontas, resultando em uma área central vazia. Dessa forma, a luz cria desenhos diversos ao longo do dia e adentra os telhados flutuantes.

Como em outros projetos de Louis Kahn, essa estrutura possui um espaço central que recebe luz direta.
A Trenton Bath House possui um pátio central vazio que emoldura a luz. Fonte: Flickr

Observando de todos os ângulos, é possível identificar o uso das formas geométricas puras, uma característica que define boa parte das obras de Louis e Anne.

Biblioteca Phillips Exeter

Para Louis Kahn, “uma biblioteca deve ser projetada como se jamais tivesse existido outra.” De fato, o projeto da Biblioteca Phillips Exeter segue essa linha de pensamento, afinal é a maior do mundo, considerando o número de exemplares que contém. São mais de 160 mil livros, e o espaço possui capacidade para abrigar até 250 mil.

Estrutura em concreto contrastando com o mobiliário amadeirado da biblioteca.
O interior da Biblioteca Phillips Exeter valoriza a crueza dos materiais, bem como as formas geométricas. Fonte: Archeyes

Além da sua capacidade, o que chama atenção é a configuração da estrutura, com um átrio central que prioriza a luz natural e amplas janelas para os momentos de leitura.

Espaços de leitura e estudo localizados ao lado de grandes janelas.
Os espaços de leitura e estudos foram instalados próximos das amplas janelas. Fonte: Archeyes

O volume quadrado da construção, visto do lado externo, harmoniza com os outros edifícios em estilo gregoriano da universidade. No entanto, o trabalho detalhado em seu interior valoriza as mais diversas formas geométricas, criando uma estética em que a crueza dos materiais contrasta com a cor amadeirada das prateleiras. 

Neste projeto, Louis provou não haver esgotamento das possibilidades nos movimentos Moderno e Brutalista, além de que é possível aliar estética e funcionalidade. 

Museu de Arte Kimbell

O Museu foi projetado para Kay Kimbell a fim de abrigar a sua coleção de arte, sendo aberto oficialmente ao público em 1972. Ao longo do tempo, o local tornou-se uma das principais atrações da cidade. 

A sua forma é bastante horizontal, com módulos de cobertura arqueada que deixam expostos o material natural como o concreto. Um deles é aberto nas laterais, funcionando como uma praça contornada por espelho d’água e natureza.

Vista do módulo da construção que se abre para a área externa.
O Museu de Arte Kimbell é composto por módulos com coberturas abobadadas. Fonte: Flickr

A cobertura proporciona uma leve luz filtrada ao interior das galerias, assim como as fendas nas extremidades da construção. Essa luz não apenas ilumina o interior das galerias, como também destaca o formato longilíneo.

A luz da galeria foi pensada por Louis Kahn para adentrar o espaço pela cobertura.
O interior das galerias recebe luz indireta da cobertura. Fonte: Pinterest

No Museu de Arte Kimbell fica evidente o espírito criativo livre de Louis, sem se importar com tendências e padrões.

Memorial em Roosevelt Island

O Memorial foi construído em homenagem ao ex-presidente Franklin Roosevelt, como um lembrete das liberdades essenciais nas quais Roosevelt acreditava. São elas: liberdade de expressão, liberdade de culto, liberdade de necessidade e liberdade de medo.

Vista das escadarias que levam até a praça.
As escadarias monumentais levam até uma bela praça com vista para o East River. Fonte: Pinterest

A obra foi projetada em parceria com a arquiteta paisagista Harriet Pattinson e está localizada em Nova York. Ao subir as escadarias monumentais, há uma praça em formato triangular, que se estreita na direção do East River.

Na extremidade da praça, foi construída uma sala de aço e granito maciço, na qual está apoiada o busto de bronze do presidente homenageado. Essa posição, na ponta mais estreita, possui o intuito de atrair o olhar dos visitantes de imediato.

Vista da praça com o busto de bronze em primeiro plano. Ao fundo está o East River.
Na extremidade do espaço está o busto de bronze de Franklin Roosevelt. Fonte: Pinterest

Salk Institute

O Salk Institute valoriza a água e, assim como o Memorial em Roosevelt Island, conduz o olhar para o horizonte. De acordo com Louis, o extenso pátio central que aponta para o Oceano Pacífico é como uma fachada para o céu.

Imagem do Salk Institute em direção ao Oceano pacífico.
O Salk Institute foi pensado para valorizar ainda mais a paisagem. Fonte: Flickr

Esta obra foi construída considerando o elemento tempo para emocionar gerações mesmo que se passem muitos anos. Assim, a forma e a disposição dos edifícios são o ponto de partida e, apesar de serem independentes, formam um conjunto entrelaçado.

Vista dos 4 andares do edifício do Salk Institute ao lado de um espelho d'água.
Os edifícios do Salk Institute se abrem para o exterior por meio de suas varandas e suas amplas janelas. Fonte: Flickr

Sob o mesmo ponto de vista, foi feita a escolha dos materiais. O concreto que forra o chão e os edifícios se mistura com o mármore travertino do pátio, proporcionando fluidez e continuidade.

Louis Kahn é silêncio e luz

Para o historiador Vincent Joseph Scully, que foi também amigo pessoal do arquiteto, apreciar a luz nos projetos de Louis Kahn, em silêncio, chega a dar calafrios, porque é como se comunicar com Deus. Vicente chegou a afirmar que “Deus está em seu trabalho”.

Louis Kahn posando para foto em frente a uma fachada envidraçada do museu.
Louis Kahn deixou um forte legado no ensino e na prática da arquitetura. Fonte: Pera Museum

Em 1973, Louis Kahn recebeu a Medalha de Ouro do Royal Institute of British Architects, reconhecendo que a sua carreira contribuiu para o ensino e a prática da arquitetura. Os fascinantes detalhes da vida e da obra de Louis Kahn foram retratados também no premiado documentário My Architect, dirigido por seu filho Nathaniel Kahn.

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