Frank Lloyd Wright — biografia e obras

vista exterior da casa da cascata.

Frank Lloyd Wright, arquiteto, designer de mobiliário, escritor e educador estadunidense, foi um dos arquitetos mais importantes do século XX.

Considerado “o maior arquiteto americano de todos os tempos”, segundo o American Institute of Architects, recentemente oito de suas obras foram encaminhadas à UNESCO para serem reconhecidas como Patrimônio Mundial da Humanidade.

Autor de aproximadamente 500 projetos construídos, a atemporalidade de sua obra torna-a extremamente reconhecida, estudada e muito visitada até os dias de hoje.

Retrato do arquiteto Frank Lloyd Wright.
Frank Lloyd Wright. Fonte: ThoughtCo

Biografia de Frank Lloyd Wright

Nascido em 1857, na pequena cidade de Richland Center, no estado de Wisconsin, ao norte dos Estados Unidos, filho de pai pastor e músico, Wright recebeu desde a infância motivação no âmbito da arquitetura. A mãe, professora, atraída pela pedagogia froebeliana, introduziu ao filho, desde pequeno, brinquedos associados à prática da construção e da composição. 

Além disso, o arquiteto teve uma infância bastante próxima da natureza. Junto aos vales de Wisconsin, estes lugares e experiências naturais influenciaram de maneira decisiva o conceito de habitar a paisagem e a natureza, presente em toda a obra de Wright.

Quando jovem, sem vocação para os estudos acadêmicos, Wright estudou engenharia durante dois semestres. Logo abandonou o curso e decidiu buscar trabalho em Chicago, que na época era um centro de renovação arquitetônica.

A cidade havia sofrido um enorme incêndio, que destruiu seu centro administrativo por completo, sendo necessária sua reconstrução. Isso serviu de pontapé para a utilização de novos recursos construtivos, como o de estruturas de aço, mais resistentes ao fogo.

Quando Wright chega a Chicago, arquitetos como Louis Sullivan e Dankmar Adler estavam projetando e construindo os novos arranha-céus da cidade. Edifícios que seguiam a linguagem da arquitetura moderna internacional, racionalistas e funcionais, erguiam-se em torres de escritórios de estrutura metálica e fachadas envidraçadas. 

Foi justamente no escritório de Sullivan que Wright começou a prática da arquitetura como desenhista do renomado arquiteto. 

Em paralelo, Wright foi desenvolvendo projetos próprios, que começaram com encargos da sua família materna, e logo dos primeiros clientes comerciais. Seu trabalho individual como arquiteto adquiriu relevância em pouco tempo. Em 1893 Wright decidiu abrir seu escritório próprio, onde, de maneira bastante intensa, começou o exercício de projetar casas no subúrbio de Chicago.

O arquiteto exerceu a profissão de maneira incansável por mais de 60 anos, entre o final do século XIX e o início do século XX. Durante um período de modismo da arquitetura modernista internacional, pura, funcionalista e composta por poucos elementos, Wright construiu uma linguagem própria de fazer arquitetura, difícil de enquadrar em algum estilo por ser tão única e atemporal.

Vista exterior da Fundação Frank Lloyd Wright.
Fundação Frank Lloyd Wright. Fonte: Archinect

A maneira única de fazer arquitetura de Frank Lloyd Wright

Desde as primeiras obras de Wright, já é possível perceber que a postura do jovem arquiteto perante a arquitetura era bem diferente da modernidade dos edifícios de Sullivan e de outros que se construíam na época.

Ao contrário de involucrar em seus projetos os novos materiais e tecnologias, Wright buscava referências ligadas à tradição da casa americana e ao entorno natural onde se instalavam os projetos. 

O arquiteto buscava no passado e no natural pistas para projetar. De forma experimental, com liberdade expressiva e identidade artística, buscava sair do convencional, do edifício prismático, através da desmaterialização do volume construído, para uma maior integração entre exterior e interior. 

Superando a lógica do século XIX, de ambientes rígidos e fracionados, Wright demonstrava o desejo intrínseco de criar espaços livres e variáveis.

Wright definia sua arquitetura como “orgânica”, em harmonia em seu conjunto e com o seu entorno, como se nascesse do lugar onde fosse implantada, tal como uma árvore. O conceito de relação entre arquitetura e natureza de Wright segue extremamente atual. 

Por meio de uma forte busca para simplificar e, ao mesmo tempo, construir uma obra por completo, Wright foi responsável pela criação de uma arquitetura atemporal, cujos recursos utilizados pelo arquiteto há mais de 100 anos seguem atuais.

As Casas da Pradaria

Vista exterior da casa da pradaria Arthur Heurthly.
Arthur Heurthly House. Fonte: Prairie Style

O maior conjunto de obras construídas por Wright está em casas em entornos verdes, nos subúrbios de cidades estadunidenses. Com início nos arredores de Chicago, nas chamadas “Prairie Houses”, em inglês, ou “Casas da Pradaria”, é onde se visualiza o conjunto de intenções do arquiteto ao fazer arquitetura em seu mais belo esplendor. 

Interessado pela temática da casa desde o início da carreira, foi motivo de experimentação e pesquisa do arquiteto. Neste exercício, Wright definiu o estilo da “Casa da Pradaria” em um escrito de 1894, onde explica o que deve ter essa casa moderna por meio de alguns itens:

  • Cada indivíduo deve ter uma casa própria, que deve ser a expressão da personalidade que vive ali.
  • Integrar o edifício com o local. 
  • Reduzir ao mínimo o número de ambientes que compõem o edifício, a favor de um espaço livre e variável.
  • Garantir continuidade entre exterior e interior, compreendendo as aberturas como elementos de um único sistema espacial.
  • Usar poucos materiais, procurando colocar em evidência características próprias da sua natureza. 
  • Buscar maior integração possível entre elementos técnicos, mobiliário e espaço interior.
  • Eliminar todos os elementos decorativos que obstruem as fachadas dos edifícios.

Pela lista de elementos que as casas de Wright deveriam conter, é possível observar sua contemporaneidade. Esses aspectos seguem sendo utilizados, o que comprova que a arquitetura projetada por Wright é extremamente inovadora para o seu tempo. Segue uma lógica minimalista, muito em moda nos dias atuais. 

Além disso, o escrito é específico e, ao mesmo tempo, genérico, podendo ser utilizado para outros edifícios, não somente casas.

Wright acreditava que a casa era o lugar mais importante da vida das pessoas, como um refúgio do mundo, lugar de afeto e aconchego. Para o arquiteto, a lareira deveria ser o coração da casa. Lugar primitivo de reunião, de encontro ao redor do fogo. 

Como único elemento sólido na área de estar da casa, o arquiteto coloca a lareira no centro desta, em vez de encostada na parede perimetral, como era na casa típica americana. Tornando-se núcleo da composição, onde espaços abertos abrem-se a partir desse elemento central.

A pradaria tem uma beleza própria, que, para Wright, deveria ser reconhecida e sublinhada por meio da arquitetura construída naquele lugar. Esta “horizontalidade tranquila”, segundo o arquiteto, era reforçada em seus projetos por meio de telhados suavemente inclinados, proporções baixas, beirais e muros prolongados.

Robie House

Vista exterior da casa Robie.
Vista exterior casa Robie. Fonte: Archdaily

Localizada no subúrbio de Chicago, a Robie House é reconhecida como uma das expressões máximas das “Casas da Pradaria” de Wright. Construída entre 1906 e 1909, a casa recebe o nome da pessoa para quem foi feita, Frederick Robie.

Nesta casa é possível observar a presença de todos os elementos indispensáveis para uma “Casas da Pradaria”, segundo o arquiteto. 

Um grande ambiente único ampara os espaços mais representativos da casa, salas de estar, jantar e de jogos, divididos pela lareira, descentrada. 

A divisão de ambientes se dá por pequenos desníveis de alguns degraus. Assim se consegue uma distinção de espaços, ao mesmo tempo em que uma continuidade desejada.

Sala de estar da casa Robie
Sala de estar da casa Robie. Fonte: Dezeen

A casa está composta de maneira a dissimular sua verticalidade, enfatizando linhas horizontais e prolongando beirais. 

O desenho da obra por completo é atingido na Robie House. Além do projeto de arquitetura, o arquiteto apresenta um cuidado ao detalhe, criando os móveis, as luminárias e o desenho nos vidros das aberturas, específicos para esta casa, tudo em uma mesma linguagem harmônica.

Casa da Cascata

Vista exterior da Casa da Cascata.
Vista exterior da Casa da Cascata. Fonte: Dezeen

A Casa da Cascata é um dos projetos mais conhecidos e visitados de Wright. Localizada em Mill Run, Pensilvânia, Estados Unidos, foi construída em 1935, porém segue parecendo uma obra recente.

O equilíbrio entre arquitetura e natureza é feito de maneira sublime, e a casa parece ter nascido naquele lugar específico. Cachoeira e casa passam a ser um elemento único, de impossível desprendimento. 

Ao chegar ao lugar, o primeiro que se avista são os três pavimentos de concreto, com sacadas para a cachoeira. A estrutura, feita em painéis de concreto armado, é revestida de pedra e se confunde com as rochas existentes, fazendo com que os terraços pareçam voar sobre a cachoeira. 

Extensos vitrais liberam o visual interior da casa para a natureza do entorno.

Interior da Casa da Cascata.
Interior da Casa da Cascata. Fonte: Dezeen

A continuidade entre o exterior e o interior é reforçada pelo uso de materiais naturais existentes no local para a construção da casa. A pedra presente na cachoeira aparece na casa como revestimento de paredes e como piso.

Na parte detrás da casa, junto a encosta, estão os ambientes de serviço da casa, liberando os espaços virados para a cachoeira para abrigarem os ambientes de convivência e estar da casa.

Museu Guggenheim

Vista exterior do Museu Guggenheim de Nova York.
Vista exterior do Museu Guggenheim. Fonte: Archdaily

Um dos últimos projetos do arquiteto foi o Museu Guggenheim, em Nova York. Sua construção foi concluída em 1959, pouco tempo após a morte de Wright.

Arquitetura radicalmente simples e provocativa caracteriza o edifício e  torna-o símbolo, tanto para a cidade quanto para a história, da arquitetura moderna.

Nesta obra é possível ver materializada a frase do arquiteto: “É tudo uma coisa só, integral, e não parte sobre parte. Este é o princípio pelo qual sempre trabalhei.”

Interior do Museu Guggenheim.
Interior do Museu Guggenheim. Fonte: Archdaily

No lugar de salas sucessivas, o Guggenheim é projetado como um percurso em descida. A rampa de circulação funciona como uma extensa sala em espiral, onde as obras são dispostas em todo o trajeto.

Tal como acontece no museu contemporâneo de Álvaro Siza, os visitantes sobem de elevador até o último andar do edifício e percorrem o museu descendo a suave rampa em espiral. 

Este é apenas um exemplo de como a arquitetura de Wright segue influenciando arquitetos até os dias de hoje.

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