Yayoi Kusama – Biografia e obras

Yayoi Kusama é uma das artistas contemporâneas mais relevantes em escala mundial. Sua arte é vibrante e dinâmica, com obras em exposições mundo afora. A artista japonesa com mais de 90 anos segue nos surpreendendo com suas bolinhas coloridas que tomam conta de objetos, espaços e até pessoas. 

Biografia de Yayoi Kusama

Yayoi nasceu em março de 1929, em Matsumoto, no Japão. Sua vida está marcada por doenças psíquicas com as quais a artista sofre desde criança e que, de certa forma, foi o que levou Yayoi a desenvolver-se como artista.

Desde a infância, Yayoi Kusama sofre de alucinações, em que via círculos por toda parte, e de Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), fazendo com que os círculos se tornassem uma verdadeira obsessão. A relação com a sua mãe, uma mulher de negócios que nunca aceitou o lado artístico da filha, sempre foi problemática, chegando a episódios de agressão física de mãe à filha. 

Tal relação tóxica, além de gerar instabilidade emocional, colaborou para agravar o quadro psíquico de Yayoi. 

Yayoi Kusama em sua obra Mirror Room. Fonte: Vogue

A arte passou a servir como escape da realidade e desabafo para Yayoi, quando começou a colocar no papel o que atordoava sua mente: bolinhas, ou como ela chama “pontos do infinito”. 

A artista define a própria arte como expressão da vida e, sobretudo, da doença mental, que origina as alucinações que Yayoi enxerga e traduz em forma de esculturas e pinturas. 

Aos 28 anos, a convite de uma amiga e pintora americana, Georgia O’Keeffe, Yayoi se mudou para Nova York em 1957, época em que o Japão ainda se recuperava de uma guerra, o que fez com que Yayoi acreditasse que pudesse exercer seu papel como artista e obter maior reconhecimento fora do seu país. 

Durante esse período, a artista japonesa participou de exposições dentro do âmbito do pop art, em que expôs peças inovadoras e trabalhou em conjunto com importantes artistas da arte moderna e contemporânea, como Andy Warhol e Donald Judd.

Yayoi Kusama no seu estúdio em Nova York.
Yayoi Kusama no seu estúdio em Nova York. Fonte: The Infinity Rooms

Yayoi formou parte do movimento de vanguarda que acontecia nos Estados Unidos, foi ativista do movimento antiguerra, viveu a contracultura e participou de eventos polêmicos cuja obra consistia na pintura de participantes nus com suas características bolinhas coloridas. 

Em 1973, Yayoi decide retornar ao Japão por problemas de saúde e é internada em um hospital psiquiátrico, no qual vive até hoje por vontade própria, que fica a poucas quadras do seu apartamento e ateliê, onde segue criando arte.

Yayoi Kusama foi desde jovem uma mulher à frente do seu tempo, revolucionária e feminista por natureza. Suas obras são constantemente motivo de exposições tanto no Japão quanto na América e na Europa.

A obra de Yayoi Kusama 

Yayoi Kusama começa seu trabalho artístico através da pintura, utilizando telas e tinta guache; a artista pinta o que enxerga na sua mente: bolinhas coloridas. De diferentes tamanhos e cores, os círculos tomam conta da totalidade da sua obra, que, ao longo do seu percurso, também é realizada no âmbito da escultura, de intervenções espaciais e, inclusive, em roupas e pinturas em pessoas. 
Em todas as esferas que sua obra é materializada, o surrealismo é uma característica constante. A artista apresenta o surrealismo para a contemporaneidade com influências no pop art e na arte moderna, reflexo do período em que viveu em Nova York.

Pintura sem título de Yayoi Kusama, 1967.
Pintura sem título de Yayoi Kusama, 1967. Fonte: Barbara Mathes Gallery

Além disso, o padrão de repetição e acumulação são elementos presentes na sua obra. Os círculos coloridos que cobrem a totalidade da sua obra são para a artista uma maneira de tratar sua doença. Yayoi inclusive afirma que se não fosse sua arte ela já teria se matado há muito tempo. 

Embora a arte seja produto de alucinações e obsessões, a obra resultante é alegre e colorida. Yayoi é um exemplo para pessoas que sofrem de doenças mentais e podem possuir um talento único e indescritível, que merece ser exteriorizado.

Em uma época mais madura de sua carreira, de volta ao Japão, Yayoi começou a criar arte através da literatura, que somam 13 livros. As poesias e os romances, tal como a obra da artista, são surrealistas e chocantes, um autorretrato de sua vida. 

As obras de Yayoi Kusama possuem um valor inestimável, com peças que já bateram recorde para uma artista mulher. 

Obsessão Infinita

Ao longo de sua trajetória, Yayoi Kusama criou uma série de espaços expositivos que intitulou como “Obsessão Infinita”, mesmo nome utilizado para a exposição de retrospectiva da obra da artista, a qual esteve em diversos países pelo mundo.

Yayoi Kusama em sua obra “Infinity Mirror Room”, 1965.
Yayoi Kusama em sua obra “Infinity Mirror Room”, 1965. Fonte: WikiArt

Nessas obras, é recorrente o uso das bolinhas, que cobrem piso, paredes, móveis e objetos. Além disso, a artista utiliza espelhos, colocados no plano vertical, em uma ou mais esquinas do espaço. Os espelhos fazem com que o espaço se multiplique, tendendo ao infinito.

Mirror Room (Pumpkin).
Mirror Room (Pumpkin). Fonte: Inexhibit

A obra Mirror Room (Pumpkin) foi realizada em 1933, representando o Japão na Bienal de Veneza. Constitui uma instalação com mais de um espaço, onde um ambiente foi completamente preenchido por bolinhas pretas em fundo alaranjado com um objeto espelhado ao centro; e outro oposto, onde o espelho é o revestimento de todas as paredes do espaço, e abóboras pintadas com bolinhas ocupam todo o piso da sala.

Nesses espaços cobertos de bolinhas e espelhados, a obra da artista e o ambiente se fazem infinitos. 

Yayoi Kusama no Brasil

A exposição “Obsessão Infinita” esteve no Instituto Tomie Ohtake em 2014, mas caso você não tenha visto, saiba que existe uma obra marcante da artista que está de maneira definitiva no Brasil!

Jardim de Narciso em Inhotim.
Jardim de Narciso, Yayoi Kusama. Fonte: Inhotim

A obra Jardim de Narciso foi primeiramente realizada para a Bienal de Veneza de 1966, onde a artista dispôs no jardim 1500 esferas espelhadas, com placas que diziam “Seu narcisismo à venda”. A obra causou impacto na época, pois foi uma crítica ao mercado de arte.

Tal obra foi feita pela artista em uma nova versão para Inhotim, no Brasil. Nesta, as esferas espelhadas estão dispostas sobre um espelho d’água, no jardim da cobertura de um edifício. As esferas, além de refletirem a si mesmas e a vegetação do entorno, multiplicam o reflexo do espectador. 

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