Inhotim: o maior museu a céu aberto do mundo, em Minas Gerais

Inhotim

Considerado o maior museu a céu aberto do mundo, e um dos mais importantes acervos de arte contemporânea do país, Inhotim conforma um imenso parque arborizado e muito bem cuidado paisagisticamente, que abriga obras de arte dos mais diversos tipos: desde pintura, escultura, intervenções artísticas a arquitetura.

O parque é o passeio ideal para quem aprecia natureza, artes e busca uma viagem diferente, no interior do Brasil. Conheça aqui as belezas e particularidades de Inhotim, e reserve um final de semana ou alguns dias das férias para aproveitar esse lugar incrível. 

Um pouco da história de Inhotim

Localizado no entorno da cidade de Brumadinho, em Minas Gerais, a 60 km da capital do estado, Belo Horizonte, o parque ocupa uma área de mais de 700 hectares, sendo 440 hectares de preservação natural da Mata Atlântica. Dessa área, 96 hectares conformam o espaço de visitação, que é composto por jardins, galerias, edificações, lagos e fragmentos de mata. 

O Instituto Inhotim, embora fundado em 2002 e aberto ao público em 2006, começou a ser idealizado em 1980 pelo empresário mineiro Bernardo Paz. O profissional da área de mineração e siderurgia foi casado com a artista plástica carioca Adriana Varejão. Interessado por artes, possivelmente por influência da esposa, ao longo do tempo foi compondo uma coleção de arte bastante valiosa.

Três esculturas de bronze (sem título), de Edgard de Souza.
Três esculturas de bronze (sem título), de Edgard de Souza. Fonte: Pinterest

Em meados de 1980, o empresário decidiu se desfazer de sua coleção de arte modernista e torná-la de acesso público, de uma maneira bastante singular. Foi quando a propriedade privada, que hoje é parque e museu, começou a ser transformada, tornando-se um lugar quase mágico, que conjuga arte e natureza,

com um acervo de arte contemporânea considerado um dos mais relevantes do mundo, além de uma coleção botânica composta por espécies raras de todos os continentes. 

Desde a fundação do Instituto Cultural Inhotim, instituição sem fins lucrativos, o acervo é mobilizado para o desenvolvimento de atividades educativas e sociais. As exposições são renovadas constantemente, e novas galerias inauguradas anualmente.

Galeria Adriana Varejão, projetada por Tacoa Arquitetos.
Galeria Adriana Varejão, projetada por Tacoa Arquitetos. Fonte: Archdaily

O museu de arte contemporânea apresenta um conceito incomum que une arte e arquitetura. A arquitetura passa a ser também arte, escultura. Os objetos arquitetônicos, que abrigam galerias espalhadas pelo parque, ora posam na natureza de maneira a tornar-se parte e parecer mimetizar-se com o entorno, ora a confrontam, estabelecendo um diálogo interessante entre geografia e construção.

Conheça algumas das obras imperdíveis em Inhotim

Uma das principais características artísticas de Inhotim é a variedade. Em um mesmo lugar é possível encontrar pintura, escultura, arquitetura, além de experiências sensoriais que abrangem os cinco sentidos. 

A multiplicidade também aparece nos autores, que são brasileiros, europeus, americanos e asiáticos, conformando um panorama artístico plural e único no mundo. 

A seguir, mostraremos algumas obras significativas, especiais e imperdíveis para conhecer em Inhotim; mas saiba que é apenas um recorte de uma infinidade de obras de arte a ser apreciadas na visita ao parque e museu. 

Narcissus Garden e Centro Educativo Burle Marx 

A união entre arte e arquitetura é materializada no edifício Centro Educativo Burle Marx, que serve de porta de entrada ao parque. A construção contemporânea, instalada à beira de um lago, abriga espaços de trabalho e conhecimento, é sede dos programas educativos do Instituto, além de contemplar uma biblioteca, o Teatro Inhotim, um café e generosos ambientes exteriores cobertos de estar.

Centro Educativo Burle Marx.
Centro Educativo Burle Marx. Fonte: Archdaily

O edifício é obra do escritório de arquitetura mineiro Arquitetos Associados e já recebeu importantes prêmios de arquitetura. Com planta em forma de U, a obra traz o lago e a mata para dentro do edifício, possibilitando espaços frescos e sombreados.

Narcissus Garden, de Yayoi Kusama. Cobertura do Centro Educativo Burle Marx.
Narcissus Garden, de Yayoi Kusama. Cobertura do Centro Educativo Burle Marx. Fonte: Archdaily

A cobertura do edifício é um jardim acessível, inspirado no paisagismo de Burle Marx. Caminhos sinuosos contornam um espelho-d’água, onde há plantas aquáticas de diversas cores. 

É nessa cobertura que está instalada uma das obras de arte mais emblemáticas da singular artista japonesa Yayoi Kusama. A obra é composta por 500 esferas de aço inoxidável que flutuam sobre o espelho-d’água. Intitulada Narcissus Garden, ou seja, Jardins de Narciso, as esferas são espelhos que refletem a paisagem e quem as observa a vê de maneira multiplicada, recordando o mito grego de Narciso. 

Essa obra da artista japonesa é uma nova versão da apresentada em 1966 na Bienal de Veneza, onde Yayoi Kusama instalou sobre o gramado, entre os pavilhões da Bienal, mais de mil esferas espelhadas que se mostravam à venda por 2 dólares, com uma placa que dizia “Seu narcisismo à venda”. A artista revelava, de maneira irônica, uma crítica ao sistema da arte, de venda e repetição.

Pavilhão Som da Terra 

O pavilhão Som da Terra, ou Sonic Pavilion, do artista norte-americano Doug Aitken, é uma obra que une arte, ciência e sensações. O pavilhão, que está localizado na parte alta de um morro, tem planta circular, é envolto por um fechamento de vidro transparente e permite uma visão 360 do entorno natural do parque, o que, por si só, já é incrível.

Sonic Pavilion.
Sonic Pavilion. Fonte: Folha de São Paulo

Mas a obra vai além disso. Doug queria causar uma experiência nunca antes vivida pelo visitante e colocá-lo em contato com o mundo, com o planeta Terra, de maneira profunda, direta e impactante. A obra, que é resultado de um processo de pesquisa de cinco anos, traz, no meio da sala, um furo de 200 metros de profundidade, onde foram instalados microfones para captar o som da terra. Esse som é transmitido através de um sofisticado sistema de som, ao vivo, no interior do pavilhão. 

A sala transparente e inicialmente vazia é preenchida por sons que parecem, às vezes, água, em outros momentos, terremotos, e por aí vai. Uma experiência auditiva e espacial única. 

Beam drop

Beam drop é uma obra de arte contemporânea cujo processo de elaboração foi feito de maneira tão inusitada que pode ser descrita como performática. Ela é composta de vigas metálicas sobre um plano de concreto.

Beam drop. Fonte: Inhotim
Beam drop. Fonte: Inhotim

Para a sua criação foi usado um guindaste de 45 metros de altura, que, comandado pelo artista, lançou, em uma poça de cimento fresco, 71 vigas que compõem a obra. Essa intervenção durou 12 horas. 

Nessa obra, o contraste entre o natural e o artificial é mais evidente. As vigas de grandes dimensões, dispostas na paisagem de maneira aparentemente aleatória, resultado do ato violento de lançar os pesados elementos ao solo, compõem uma visão épica em meio à serenidade da paisagem.

Bisected triangle, Interior curve

A obra, desenvolvida por Dan Graham, artista e curador norte-americano, desenvolve-se entre mais de um campo artístico, incluindo fotografia, escultura, instalações, vídeos e arquitetura. Dan Graham coloca-as em diálogo entre si, com o lugar que a rodeia e com o espectador, de maneira a gerar novas percepções sobre o entorno e sobre si mesmo.

Bisected triangle, Interior curve, de Dan Graham.
Bisected triangle, Interior curve, de Dan Graham. Fonte: Pinterest

A obra do artista em Inhotim possui recursos utilizados recorrentemente pelo artista: vidros com um leve espelhamento, seguros por bordas metálicas. Dan Graham parte de formas geométricas simples, nesse caso do triângulo, e inclui curvas sutis, que provocam distorções em seus reflexos e criam um jogo de profundidade, o que causa certa confusão na percepção. 

O limite entre exterior e interior em seus pavilhões é difuso, criando diálogo entre arte, arquitetura e escultura e a paisagem natural do parque.

Viewing Machine

Olafur Eliasson, artista dinamarquês, produz uma obra única, com foco na experiência e no processo de percepção do espectador. Como recursos utiliza luzes, espelhos e superfícies planas, em conjunto com os elementos sol, vento, água, vapor ou fogo.

Viewing Machine, de Olafur Eliasson. Fonte: Inhotim
Viewing Machine, de Olafur Eliasson. Fonte: Inhotim

Suas obras vão de espaços interiores, pavilhões a objetos, sempre interativos. Nelas, o artista traz reflexões sobre o tempo, a luz, a gravidade, o movimento e o som. 

No caso da obra de Olafur em Inhotim, o artista traz uma Viewing Machine baseada nos princípios de funcionamento de um caleidoscópio. O visitante pode e deve interagir com a obra, apontando-a para algum ponto de interesse. A paisagem é, então, multiplicada de maneira particular nos seis planos espelhados do objeto, conformando uma nova realidade. 

Adriana Varejão

Adriana Varejão, artista carioca, produz um trabalho dedicado principalmente à pintura, passando pela escultura e pela fotografia. Estudiosa, Adriana também realiza pesquisas sobre ruínas, monumentos, a história e as ciências naturais, por exemplo, que servem de base de conhecimento e inspiração para a suas pinturas.

 Celacanto Provoca Maremoto, de Adriana Varejão.
 Celacanto Provoca Maremoto, de Adriana Varejão. Fonte: Archdaily

Inhotim conta com uma galeria dedicada exclusivamente à artista, onde é possível ver de perto trabalhos de grandes dimensões, como pinturas em azulejos. 

A arquitetura da galeria é projeto do escritório também carioca, Tacoa Arquitetos. O edifício monolítico parece levitar sobre a paisagem natural. A arquitetura é serena e contrastante. 

Invenção da cor (Penetrável Magic Square)

A obra, entre escultura e instalação, de Hélio Oiticica em Inhotim é um verdadeiro cartão-postal do parque. O conjunto de paredes de cores vibrantes conforma um perímetro quadrado e elas estão dispostas de uma maneira em que se pode percorrer os espaços, resultando em uma obra que se articula com quem passa e convida a interagir.

Invenção da cor (Penetrável Magic Square), de Hélio Oiticica.
Invenção da cor (Penetrável Magic Square), de Hélio Oiticica. Fonte: Pinterest

O artista carioca deixa claro nessa obra a forte influência do arquiteto mexicano Luis Barragán. Os planos coloridos contrastam com o verde do entorno, criando um jogo de cores único. 

Essa obra foi construída após a morte do artista, com base no rico material anteriormente criado, como desenhos de diagramas, desenhos técnicos, maquetes e textos. 

Esteja aberto ao inesperado

Neste post, apresentamos algumas das obras presentes em Inhotim, porém, é importante constatar que existem muitas outras esculturas, pavilhões e espaços incríveis no instituto. Portanto, ao visitá-lo, recomenda-se utilizar dois dias para conhecer uma maior quantidade de obras. Esteja aberto ao inesperado, pois surpresas podem surgir no meio do caminho, como uma nova obra, descobrir um espaço do jardim, e inclusive apreciar a culinária mineira em algum dos restaurantes espalhados pelo parque.

Pavilhão True Rouge. Fonte: Inhotim
Pavilhão True Rouge. Fonte: Inhotim

Uma dica é aproveitar a viagem até Minas para visitar Belo Horizonte, que está a apenas uma hora de carro de Inhotim. A capital mineira apresenta uma arquitetura única, que inclui obras fantásticas de Oscar Niemeyer, como o Conjunto Arquitetônico da Pampulha, além de lugares antigos, agora reformados, como o queridinho dos jovens, o Mercado Central, onde é possível  conhecer mais da cultura e da gastronomia local. 

Informações úteis para sua visita a Inhotim

Endereço: Rua B, 20, Fazenda Inhotim, Brumadinho – MG 

Telefone: (31) 3571-9700

Horários: Sexta-feira das 9h30 às 16h30. Sábados, Domingos e feriados das 9h30 às 17h30.

Ingressos: R$ 44,00 (inteira) e R$ 22,00 (meia). Compra de ingressos antecipada através da plataforma Sympla, garante o seu aqui

Dica: na última sexta-feira de cada mês (exceto feriados) a entrada é gratuita.

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