Roberto Burle Marx – Biografia e obras

Roberto Burle Marx foi um artista plástico brasileiro com multi habilidades. Seja na pintura, na música, na tapeçaria ou na escultura, o artista realizou trabalhos de qualidade indiscutível. Foi a sua extensa atuação no paisagismo, no entanto, que o consagrou como uma figura importante para a história.

Sua obra é considerada um dos primeiros momentos em que a natureza brasileira é, de fato, valorizada na história da arquitetura e do paisagismo brasileiro. A utilização de espécies tropicais de forma inovadora e pouco óbvia chama a atenção em seu trabalho.

Biografia de Roberto Burle Marx

Filho de pai alemão recém imigrado e de mãe com ascendência holandesa e francesa, Roberto Burle Marx nasceu em São Paulo no ano de 1909. Desde cedo demonstrou encantamento pelas artes e pela música, mas o momento que antecede seu ingresso na Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro é um dos mais marcantes de sua trajetória. 

Fotografia de Burle Marx pintando uma tela que está apoiada em um cavalete. Em sua mão, há um pincel.
Burle Marx possuía desenvoltura em diversos ramos da arte. Fonte: Pinterest

Numa viagem à Alemanha, o paisagista deparou-se com espécies de plantas amazônicas e africanas expostas no Jardim Botânico, o que o fez questionar o motivo pelo qual o bioma brasileiro não era valorizado do mesmo modo em seu país de origem.

Por essa experiência, sua carreira como paisagista teve como propósito justamente aproximar os brasileiros de suas próprias riquezas naturais. 

O início de sua história no paisagismo aconteceu em 1932, quando Lúcio Costa  convidou-o para desenhar o jardim-terraço da residência da família Schwartz em Copacabana. 

A qualidade de seus trabalhos levou-o ao cargo de diretor do setor de Parques em Recife, no ano de 1934, onde foi responsável pela reforma de jardins e praças públicas.

Em 1955 o paisagista fundou o Burle Marx Escritório de Paisagismo que segue em funcionamento até os dias atuais. Além de ser uma das grandes referências do paisagismo brasileiro, a parceria de mais de 30 anos com o arquiteto Haruyoshi Ono, certamente foi um legado para a humanidade.

A linha entre a arte e o paisagismo

Da mesma forma que um pintor utiliza o jogo de claro e escuro e um músico trabalha o silêncio e o sonido, para Burle Marx, o paisagismo é feito de luz e sons, e isso fica evidente no pensamento que antecede os seus projetos materializados.

Os padrões de suas pinturas são semelhantes aos desenhos de seus jardins, com figuras geométricas bastante fortes, além de nuances de cores vivas. Em algumas delas, existe um contraste entre a geometrização e o uso de curvas, o que torna suas obras únicas.

Pintura de autoria de Burle Marx, com formas abstratas e cores vivas como azul e vermelho terra.
Pintura de Burle Marx em óleo sobre tela. Fonte: Itaú Cultural

A poética da cultura brasileira está presente na escolha de cada elemento de seus projetos, assim como a preocupação com a Floresta Amazônica e com as questões ecológicas. 

Tendo em vista os benefícios do projeto paisagístico, defendia a ideia de conexão entre o ser humano e a natureza, conceito também conhecido como design biofílico. 

“A missão do paisagista vai além do trabalho de composição. Ele deve trazer a natureza ao alcance do homem e, acima de tudo, levar o homem de volta à natureza.” (Burle Marx)

Autor de mais de 3 mil projetos de paisagismo em 20 países, Burle Marx demonstrou conhecimento profundo em todas as fases do projeto paisagístico. O paisagista dominava a botânica e fazia constantes experimentos para entender o comportamento das plantas, portanto sabia prever todas as fases de um jardim: do nascimento ao amadurecimento, momento em que normalmente necessita de manutenção.

Fotografia aérea da Sede do Banco Safra, com desenho de piso do terraço em formas abstratas nas cores vermelho, cinza e branco.
Sede do Banco Safra em São Paulo, com  paisagismo de Burle Marx. Fonte: Pinterest

Aliado a todo o conhecimento em botânica está o senso estético. Olhando os projetos de Burle Marx por uma vista aérea é possível perceber como o artista criava belos desenhos que trabalham várias dimensões; espaços acolhedores para estar e belos para contemplar.

Fazenda Vargem Grande

Fotografia aérea da Fazenda Vargem Grande, com diversas espécies de plantas.
Fazenda Vargem Grande com paisagismo de Burle Marx. Fonte: Fazenda Vargem Grande

A Fazenda Vargem Grande foi uma produtora de café com construção original datada de 1837. Após ser comprada e restaurada por Clemente Fagundes Gomes, o terreno ganhou um belo projeto paisagístico de Burle Marx. 

Foram criados três níveis por onde fluem quedas-d’água. Além de produzirem sons, elas formam cortinas que refletem a luz do sol e valorizam a textura das pedras utilizadas. Ao longo dos percursos também foram colocadas esculturas e elementos decorativos que integram natureza e arte, lembrando jardins renascentistas.

O projeto levou mais de oito anos para ser concluído e nele fica evidente a intenção do paisagista de criar ambientes sensoriais, com sons e sensações interessantes para quem desfruta do espaço. 

Residência em Petrópolis

Fotografia da residência em Petrópolis, com desenho de jardim que mistura forrações em diversas alturas.
Residência para Edmundo Cavanelas com paisagismo de Burle Marx. Fonte: Pinterest

Projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer para Edmundo Cavanelas, essa residência de fim de semana ficou pronta em 1954. 

A ideia era integrar a construção ao local, portanto Niemeyer pensou numa construção linear com uma cobertura metálica levemente curva ligando os dois pontos do vale onde está inserida, valorizando a natureza existente e a natureza modelada. 

Essa natureza modelada, fruto do projeto paisagístico desenvolvido por Burle Marx, integra-se de maneira surpreendente ao entorno. De um lado da construção, o paisagista criou canteiros curvilíneos, na orientação oposta, a leste, os traços retos e as composições geométricas predominam. 

A diferença de cores e alturas na vegetação contribui para o movimento do jardim, sempre mantendo a conexão com os elementos que o contornam.

Calçadão da Avenida Atlântica na Praia de Copacabana

Fotografia aérea do calçadão de Copacabana, com desenho de piso ondulante em preto e branco, e do canteiro central com desenho de piso abstrato com autoria de Burle Marx.
Calçadão de Copacabana com desenho de piso abstrato de Burle Marx. Fonte: Pinterest

O desenho do piso, que remete às ondas do mar, cenário atemporal que acompanhou tantas épocas, é de autoria do engenheiro Eusébio Pinheiro Furtado e foi trazido de Portugal para o Brasil em 1905. Posteriormente, em uma reforma do calçadão de Copacabana, Burle Marx formulou os desenhos acentuando as curvas e deixando-as paralelas ao mar.

Do outro lado da Avenida Atlântica, assim como no canteiro central, o piso é composto de desenhos abstratos e conjuntos de árvores que se integram, como uma grande tela a céu aberto. Esses traços inconfundíveis são também da autoria de Burle Marx. 

A natureza é uma paixão que transborda em toda a produção de Burle Marx, afinal, diversas experiências de sua vida estiveram ligadas ao mundo natural. Como legado, além de suas obras, o paisagista deixou muito conhecimento fruto de sua experimentação.

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