Função e benefícios do projeto paisagístico

    Função e benefícios do projeto paisagístico
    Carolina Scordamaglio

    Por Carolina Scordamaglio

    23 janeiro 2020

      Paisagismo (ou arquitetura da paisagem) é a disciplina que promove o planejamento, o projeto, a gestão e a manutenção de espaços externos.

      Por meio do uso de elementos naturais (em sua maioria), o paisagismo visa proporcionar qualidade estética e funcional (como segurança, privacidade e conforto) aos ambientes.

      Sendo parte do projeto arquitetônico, persegue o objetivo final da arquitetura: a convergência perfeita entre função, conforto e estética, mas com o artifício inigualável da natureza, que proporciona ao homem saúde e qualidade de vida.

      Benefícios físicos e psicológicos

      Além da evidente vantagem estética, que agrada aos olhos (e por que não dizer a alma?), a proximidade com a natureza proporciona benefícios à saúde física e mental.

      Muitos estudos revelam alteração em nosso comportamento, seja ele consciente ou não, quando estamos de alguma forma conectados à natureza. Foi provado, por exemplo, que profissionais que trabalham em ambientes fechados, de 8 a 9 horas por dia, têm maior propensão à queda do metabolismo e a desenvolver diabetes e doenças cardíacas. Em contrapartida, projetos que integram elementos naturais ao ambiente corporativo trazem aumento de produtividade, de criatividade e da frequência dos colaboradores.

      Em uma escala bem mais ampla, o paisagismo urbano impacta a vida de toda uma comunidade. Um estudo realizado com a população da Inglaterra constatou que o risco de desenvolver doenças circulatórias é menor na população que vive em áreas verdes. 

      Paisagismo urbano: estudos compravam impacto positivo à saúde no convívio com a natureza
      Paisagismo urbano: estudos comprovam impacto positivo à saúde no convívio com a natureza. Projeto: Benedito Abud

      Mesmo quando introduzida em pequenas quantidades em um ambiente completamente dominado pelo concreto, a força da natureza é implacável: uma única árvore de grande porte é capaz de absorver até 150 kg de CO2 por ano, e a presença delas pode diminuir a temperatura do entorno de 2 ºC a 8 ºC.

      Design Biofílico: um retorno ao essencial

      Biofilia, uma expressão criada pelo biólogo americano Edward O. Wilson para nomear seu livro publicado em 1984, foi resgatada recentemente com grande euforia pelos entusiastas da arquitetura e da natureza. 

      Com base em pesquisas que comprovam os impactos positivos da presença da natureza em nosso dia a dia, o termo, que significa “amor pela vida”, aplicado ao design propõe trazer o máximo da natureza para os nossos dias por meio dos projetos de arquitetura. 

      Praça do escritório da Apple em Macau
      Praça do escritório da Apple em Macau (Foto e projeto: Foster + Partners).

      Segundo o livro “14 Patterns of Biophilic Design” (14 Padrões do Design Biofílico), as aplicações desse conceito dividem-se em três grupos: padrões da natureza no espaço, padrões de analogias naturais e padrões da natureza que proporcionam espaço. Na prática, significam priorizar o acesso à natureza, o contato com materiais provenientes da natureza, a qualidade do ar, da luz,entre outros. Tudo isso, segundo a teoria, tem a função de nos reconectar com nosso primeiro hábitat natural: a natureza. E, assim, combater males modernos como depressão, ansiedade e estresse.

      Benefícios financeiros

      Além de todos os benefícios já citados, o projeto paisagístico ainda tem um peso relevante na precificação dos imóveis. Mais que cuidado ou capricho, um bom projeto paisagístico e uma área verde bem cuidada sinalizam imediatamente luxo e status. Vide a quantidade de lançamentos de alto padrão assinados por escritórios paisagísticos renomados, como Benedito Abbud, Gilberto Elkis e Gil Fialho

       Projeto paisagístico residencial de Gilberto Elkis
      Projeto paisagístico residencial de Gilberto Elkis

      Segundo pesquisa publicada pela Gazeta do Povo, imóveis com jardins bem preservados alcançam uma valorização de até 10% do seu valor, enquanto áreas verdes abandonadas chegam a desvalorizar o imóvel em até 15%.

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