Edifício Andraus – Que prédio é esse?

O Edifício Andraus nasceu em 1962, no distrito da República, centro de São Paulo. A princípio, seu nome seria “Edifício 50”, mas a nomenclatura acabou mudando, em homenagem ao seu fundador.

Com 115 metros de altura, divididos em 32 andares, era um dos poucos arranha-céus de São Paulo naquela época. O prédio também era conhecido como “Prédio da Pirani”, por causa da loja Pirani, que ocupava os primeiros andares do empreendimento.

Esse edifício ficou realmente conhecido, porém, por um motivo infame: um incêndio cuja possível causa foi uma sobrecarga na rede elétrica.

O prédio, além da loja Pirani, reunia escritórios de diversas empresas, inclusive das multinacionais Henkel e Siemens.

Incêndio no Edifício Andraus

Edifício Andraus pegando fogo
Fonte: Pinterest

Era 24 de fevereiro de 1972, uma quinta-feira que começou como qualquer outra, até que o fogo surgiu no segundo pavimento do Edifício Andraus e começou a se espalhar rapidamente.

O impulso inicial dos trabalhadores que estavam no local era descer, mas o fogo impedia. A alternativa, então,  foi subir. Ao chegarem ao final da escada uma porta de metal, com um cadeado, obstruía a passagem. 

Mas a vontade de escapar do fogo era mais forte que o cadeado, e logo ele cedeu. Diversas pessoas espalharam-se pelo heliponto do prédio, na intenção de ficar ali até que os bombeiros controlassem o fogo.

Mas o fogo parecia não ceder, e a esperança diminuía, até que um ponto distante no céu exclamou salvação.

Os heróis do dia 24 de fevereiro

helicóptero pousando na cobertura
Fonte: Pinterest

O resgate por helicóptero parecia ser a única opção viável, mas os serviços de resgate não dispunham de muitos veículos.

A operação iniciou com diversos contatos via rádio entre pilotos de helicóptero de toda a Grande São Paulo; muitos atenderam ao chamado voluntariamente. Esse dia ficou marcado como a maior mobilização de helicópteros civis do mundo para uma operação de resgate.

Esses pilotos enfrentaram uma situação de risco, sem qualquer treinamento para isso, e nenhum acidente ocorreu. 

No início, um bombeiro desceu no topo do prédio para organizar as pessoas e formar filas para que elas pudessem ser resgatadas de maneira ordenada. Estima-se que 150 voos tenham sido realizadas nesse dia, salvando mais de 350 pessoas.

O heroísmo marcou para sempre o dia 24 de fevereiro, que hoje é celebrado como o Dia do Piloto de Helicóptero.

Além dos pilotos não podemos esquecer, é claro, dos bombeiros, que enfrentaram as chamas por horas. É importante lembrar que o equipamento utilizado por eles na década de 1970 era muito diferente do atual: nada de roupas térmicas que protegem contra o calor excessivo, o uniforme consistia de roupas grossas e um capacete que protegia apenas o topo da cabeça.

Já anoitecia quando os bombeiros conseguiram controlar as chamas, desobstruir as escadas e abrir uma nova rota de resgate. Os bombeiros passaram a conduzir, em grupos, os sobreviventes na descida dos 32 andares para a saída do prédio em chamas.

Apesar dos esforços de profissionais e civis, 16 pessoas morreram e 330 ficaram feridas.

O Edifício Andraus hoje

edifício Andraus hoje em dia

Após o incêndio, o Andraus foi revitalizado para continuar sediando escritórios, função que desempenha até hoje no centro de São Paulo.

Em 2013, um especialista em prevenção de incêndios visitou o edifício e constatou diversas irregularidades, como falta de sinalização e portas corta-fogo abertas. O síndico do prédio garantiu que resolveria os problemas.

Na década de 1970, as normas de prevenção de incêndios eram as do Código de Obras de 1934. Após os incêndios no Edifício Andraus e no Edifício Joelma, elas foram revistas e o Corpo de Bombeiros melhor estruturado. Na época do incêndio os bombeiros contavam com 14 postos em São Paulo, hoje são 45.

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