A orientação solar pode ajudar você escolher melhor um novo apartamento

A orientação solar do apartamento interfere e muito no dia a dia do morador. Aprenda como identificar e qual escolher.

Imagine-se dentro da sua casa dos sonhos.

Qual é o clima, a temperatura, qual a sensação que espera ter dentro dela?

Essa resposta pode variar de acordo com o seu gosto pessoal, mas, certamente, você não se imaginou em uma casa quente demais, fria demais, úmida ou abafada. De nada adianta uma linda casa se ela não pode te proporcionar prazer e bem-estar.

Por isso, o conforto térmico é um fator importantíssimo a ser considerado na escolha do seu apartamento, e ele está diretamente ligado à relação do imóvel com o sol.

Não é à toa que o sol é conhecido como fonte de vida. Além do conforto e bem-estar, a insolação correta garante uma série de benefícios à saúde. Sua presença inibe a proliferação de fungos e bactérias causadores de problemas respiratórios, além de ser fonte de vitamina D, responsável pela absorção de cálcio nos ossos.

Um projeto eficiente deve fazer o uso inteligente do sol, de maneira que se reduza a necessidade de consumo de luz elétrica e ar-condicionado, tornando a construção mais sustentável e econômica. Mas não é só nisso que o sol pode interferir no seu bolso. Segundo dados publicados pelo SECOVI (Sindicato da Construção Civil) o valor da planta pode variar em até 10% de acordo com sua orientação em relação ao sol.

Agora que você já sabe a importância de considerar a orientação solar na escolha do seu apto, preparamos um check-list para te ajudar a fazer essa análise:

1. Visite o Local com uma bússola

Saiba em qual direção nasce o sol (leste), e para qual direção ele se põe (oeste). O sol percorre esse trajeto levemente inclinado para o norte, especialmente no inverno, o que faz dessa orientação a mais desejada, pois recebe sol durante mais horas do dia e garante mais calor nos dias frios.

Fachadas orientadas para leste recebem o sol da manhã e ao oeste recebem o sol da tarde, que dura mais tempo e é bem mais quente.

A face sul é a mais fria, pois recebe menos sol. Visitar o imóvel em diferentes horários do dia também pode ser uma boa estratégia para identificar esses pontos.

2. Saiba o que priorizar

Salas e dormitórios são considerados cômodos de longa permanência, por isso devem ser priorizados.

A face oeste recebe a incidência direta do sol da tarde e pode superaquecer os cômodos no verão, tornando desagradável a permanência por longos períodos, por isso as faces leste e norte são as mais indicadas para estes ambientes.

Alguns cuidados também devem ser tomados na cozinha, banheiros e área de serviço. Apesar de serem beneficiados pela presença do sol, a incidência direta dos raios solares pode ser nociva aos eletrodomésticos, é importante observar se as aberturas (portas e janelas) permitem a ventilação correta desses ambientes.

3. Considere as características arquitetônicas

O tamanho dos vãos, janelas, portas, dimensões dos ambientes, profundidade da varanda, beirais e outros elementos de fachada podem favorecer ou não a entrada de sol e ventilação. Cada uma dessas características deve ser considerada e analisada.

Quanto maior as aberturas, mais sol e mais ventilação. O modelo das esquadrias também é um importante detalhe a ser observado.

No Hamptons Park a persiana embutida utilizada na janela da sala permite fechá-la ou abri-la completamente, permitindo total aproveitamento do vão luz

Plantas com ambientes integrados favorecem e muito a iluminação e ventilação naturais. Elementos vazados, como cobogós, também são uma solução inteligente para separar ambientes sem bloquear a luz e o vento.

Yris Parque Villa Lobos, com living integrado ao terraço, que garante máximo aproveitamento da luz natural

Nos casos onde há intensa incidência solar, brises, beirais e elementos fixos na fachada podem ser utilizados para barrar os raios solares e garantir maior conforto térmico ao ambiente.

4. Observe o entorno

Chamamos de recuo a distância entre a construção e os limites do terreno. Em cidades adensadas como São Paulo, este é um fator importantíssimo que pode afetar a qualidade de insolação dos imóveis.

Observe a distância e a altura das construções vizinhas. Quanto mais altas e mais próximas, mais dificultam a entrada de sol e de ventilação.

A quantidade de árvores no entorno também pode interferir na sensação térmica da sua casa.

5. Outros fatores que interferem no conforto térmico do imóvel

Quando somada à boa insolação, a ventilação cruzada torna o ambiente ainda mais agradável. Aberturas maiores favorecem a circulação e quando dispostas em lados opostos ou adjacentes garantem a qualidade e renovação do ar.

Materiais, cores e texturas podem ser utilizados na decoração para amenizar situações desfavoráveis de temperatura e luminosidade. Cores claras refletem a luz, iluminam e não retém calor. A escolha dos revestimentos também tem muito valor. Madeira, granito, têxteis e outros materiais podem ser usados para equilibrar a sensação térmica.

Conclusão

O sol é vital para nossa existência e por isso sempre esteve intimamente ligado à nossa maneira de viver e morar. Contudo, é preciso saber usá-lo a nosso favor.

Aqui no hemisfério sul a fachada norte é a mais agradável e por isso a mais valorizada, junto com a fachada leste são as mais indicadas para os ambientes de longa permanência.

Detalhes arquitetônicos podem ajudar a controlar a insolação e favorecer a ventilação, que não deve ser ignorada no equilíbrio do conforto térmico.

Conhecer o comportamento do sol permite aproveitá-lo da melhor maneira e observá-lo pode ser o um grande trunfo na escolha do seu próximo apartamento.

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