Edifício Niemeyer em Belo Horizonte – Que prédio é esse?

Antes mesmo da construção de Brasília, Juscelino Kubitscheck já era um admirador do trabalho de Oscar Niemeyer. Quando ainda era prefeito de Belo Horizonte, encomendou projetos que até hoje são referências importantes e contam a história da cidade. Alguns deles chegaram até a ser reconhecidos pela Unesco como Patrimônio Histórico da Humanidade.

Artístico, sinuoso, moderno e imponente, o edifício residencial que leva o nome do seu criador consagra a íntima relação entre Oscar Niemeyer e a cidade de Belo Horizonte. Cada detalhe do edifício revela um traço da personalidade deste que é o maior nome da arquitetura nacional.

Oscar Niemeyer

Nascido no Rio de Janeiro, em 1907, Oscar Niemeyer não é só o maior nome da arquitetura nacional, mas também um dos maiores nomes da arquitetura moderna mundial. Inspirado por Le Corbusier, mestre europeu da arquitetura moderna, o arquiteto e artista fazia o concreto armado (sua marca registrada) tornar-se um elemento leve e fluido por meio de suas linhas sinuosas.

Em 1956, ao lado do urbanista Lúcio Costa, concebeu seu projeto de maior relevância: a capital do país, Brasília. Coube ao arquiteto projetar o Palácio da Alvorada (residência presidencial), o Palácio do Planalto (sede do Poder Executivo) e os edifícios do Supremo Tribunal Federal e do Congresso Nacional.

Depois disso, assinou diversos projetos icônicos pelo Brasil e pelo mundo, entre eles a colaboração no projeto da sede das Nações Unidas em Nova Iorque, ao lado de Le Corbusier.

Belo Horizonte e Oscar Niemeyer

Oscar Niemeyer e Juscelino Kubitschek

A nova capital do país não foi o primeiro projeto encomendado por Juscelino Kubitscheck a Oscar Niemeyer. Em 1945, quando JK ainda era o prefeito de Belo Horizonte, convidou o já então conhecido arquiteto para desenhar o que seria o Conjunto Arquitetônico da Pampulha: um conjunto de edifícios às margens da Lagoa artificial da Pampulha, sendo  um Cassino (onde hoje opera um museu), um restaurante, um clube náutico e a Igreja de São Francisco de Assis.

Em 2016 o local passou a ser reconhecido como Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

Dez anos após projetar o Conjunto da Pampulha, Niemeyer concebe o projeto residencial denominado Edifício Niemeyer, localizado na Praça da Liberdade, esquina com a Avenida Brasil.

Edifício Niemeyer

“O que me atrai é a curva livre e sensual. A curva que encontro nas montanhas do meu País, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, nas nuvens do céu, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o Universo – o Universo curvo de Einstein.”

Edifício Niemeyer

Inovador e provocador, como são os projetos de Niemeyer, o edifício residencial que leva seu nome remete às curvas das montanhas mineiras.

Com 12 pavimentos e 22 apartamentos, a construção configura-se como um sobreposto de linhas curvas horizontais. O padrão repetido entre marquises e espaços vazios cria o ritmo e o estilo da fachada.

Para criar um efeito visual mais imponente, há marquises localizadas entre os pavimentos, dando a impressão de que o prédio tem muito mais pavimentos.

Entre eles é possível enxergar painéis artísticos de azulejos, outra ferramenta estética muito explorada pelo arquiteto.

Janelas do Edifício Niemeyer

Localizado em um terreno com uma esquina triangular, o edifício rompe o costume brasileiro de priorizar apenas uma fachada. Todas as faces são iguais e exploram o máximo da vista e da iluminação solar.

Fachada do Edifício Niemeyer

O terreno também apresenta um desnível, vencido por um patamar que abriga a portaria social.

Muito antes de Brasília, Belo Horizonte já havia sido tela para as criações do nosso maior arquiteto. Através da sua arquitetura fluida Niemeyer imprime, como ninguém, a personalidade e a alma brasileira. 

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