Mobilidade urbana: o que é e como ela se apresenta nas cidades?

O que é mobilidade urbana e como se apresenta nas cidades?

A mobilidade urbana é um tema muito recorrente, principalmente em cidades dinâmicas, como as capitais do Brasil. 

Para melhorar a qualidade de vida e a uma movimentação mais saudável, a mobilidade urbana é pensada com o objetivo de melhorar o deslocamento das pessoas em uma cidade.

Atualmente, grande parte das cidades brasileiras procura desenvolver planos de ação pensados na mobilidade e também, essencialmente, na sustentabilidade, afinal, são muitos os desafios para transformar cidades de maneira responsável.

O que é mobilidade urbana?

A mobilidade urbana está em todos os lugares, principalmente no transporte público, como nos ônibus.
Você já pensou sobre a quantidade de deslocamentos que faz diariamente? Fonte: Unsplash

A mobilidade urbana é um conceito referente às formas pelas quais a população urbana pode se locomover nas cidades.

Seja de maneira individual, ou seja, a pé, de bicicleta, de carro ou motocicleta, seja de maneira coletiva, por meio dos ônibus, metrôs ou trens da cidade, por exemplo, as pessoas estão sempre em movimento. 

Desta forma, o objetivo das discussões que envolvem a mobilidade urbana é promover relações sociais, econômicas e ecológicas capazes de desenvolver cidades de maneira a propiciar a qualidade de vida das populações.

Por este motivo, o poder público tem um compromisso com a população, ele deve se comprometer e oferecer à população um plano de mobilidade urbana baseado em políticas públicas viáveis e responsáveis, que visem ao planejamento das cidades e garantam a qualidade de vida das pessoas.

Como avaliar a mobilidade de uma cidade?

Carros na estrada, durante o entardecer.
Para se deslocar até o trabalho ou para se divertir no parque, a mobilidade urbana está em todos os lugares. Fonte: Unsplash

Em cidades movimentadas como São Paulo, por exemplo, pode parecer difícil avaliar como a mobilidade urbana é projetada em toda a sua extensão.

Afinal, sem boas condições de mobilidade urbana, é quase impossível garantir que a experiência de viver na cidade seja minimamente agradável.

Para que isso aconteça, é essencial exigir boas gestões para o trânsito e para a segurança, assim como a diversificação e a integração dos modais de transporte ⏤ como rodoviário, aquaviário e ferroviário (subterrâneo ou de superfície) ⏤ e bons investimentos em infraestrutura.

Mas para garantir que o plano de desenvolvimento, a qualidade de vida e o dinamismo das cidades sejam realmente contemplados, é possível avaliar alguns pontos, como:

  • Organização do território;
  • Organização dos transportes;
  • Fluxo de transporte;
  • Fluxo de pessoas;
  • Fluxo de mercadorias;
  • Quais são os meios de transportes utilizados.

Como surgiu a mobilidade?

Sendo a mobilidade urbana um sistema que existe para satisfazer necessidades das pessoas nos deslocamentos das cidades, é natural que a demanda tenha surgido há muito tempo.

Mas como o termo e os planos de ação surgiram para modificar a realidade das populações nas cidades?

Muitos anos atrás, os desafios encontrados por nossos antepassados nômades envolviam irrigar plantações para subsistência, desviar abrigos dos cursos dos rios, abastecer e guiar rebanhos, entre outros.

Mapa dos rios e córregos de São Paulo, por G1, baseado em dados da Prefeitura de São Paulo e do Geosampa.
Mapa dos rios e dos córregos de São Paulo. Fonte: Prefeitura de São Paulo, Geosampa, G1

Avançando um pouco na história, por meio de uma nova organização social e também uma maior concentração de pessoas, a troca de mercadorias e as vivências, por meio da movimentação, passaram a moldar as cidades.

Logo, a partir do uso da bicicleta, que por volta de 1890 já fazia a alegria dos pedestres, a pé ou por meio de veículos de tração animal, como carroças e carruagens, as pessoas já se movimentavam a fim de desbravar as cidades.

Até que, a partir do século XX, os deslocamentos passaram a ser feitos de outras maneiras, pois as pessoas passaram a utilizar outro método de locomoção: o automóvel.

Essa mudança foi capaz de modificar as formas de locomoção ao redor do mundo inteiro, facilitando percursos e incentivando certos graus de imediatismo, num dinamismo ainda maior. 

Mobilidade urbana no Brasil

No Brasil, o tema da mobilidade urbana gera muitos questionamentos e até certo grau de preocupação, afinal, espera-se que o País realmente possa usufruir de políticas públicas dedicadas o suficiente a atingir os resultados esperados, dado seu potencial.

A mobilidade urbana no Brasil se relaciona diretamente com o processo de urbanização no Brasil iniciado a partir do final do século XIX, por meio da industrialização, que se consolidou em 1930, a partir da Revolução Industrial Brasileira.

Trabalhadores manuseiam máquinas durante a era da Revolução Industrial.
A Revolução Industrial ficou marcada na história do País e do mundo. Fonte: Toda Matéria

A partir desse período, a urbanização foi desenvolvendo-se cada vez mais por meio da automatização de processos manuais que aconteciam no meio rural.

Porém, a automatização acabou substituindo a mão de obra humana e, dessa forma, o desemprego no campo aumentou e contribuiu para a migração das pessoas para as cidades.

A expansão das indústrias e o aumento de ofertas de trabalho na cidade também contribuíram para essa movimentação que causou diversos deslocamentos e, assim, o Brasil passou a ter cidades muito populosas.

Da mesma maneira, também passou a ter alguns problemas, como a falta de infraestrutura para atender toda a população e dar o suporte necessário para o desenvolvimento urbano.

Lei da mobilidade urbana

A mobilidade urbana é um conjunto que agrupa infraestrutura, transporte, serviços e mais, por isso é essencial criar um plano de ação completo e bem-articulado.

No Brasil, a Lei n° 12.587/12, conhecida popularmente como Lei da Mobilidade Urbana, foi instituída em 3 de janeiro de 2012, durante o governo de Dilma Rousseff.

Essa lei institui as diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana e, portanto, determina aos municípios o compromisso de criar um planejamento e executar a política de mobilidade urbana.

Dentre seus princípios estão:

  • “Acessibilidade universal;
  • Desenvolvimento sustentável das cidades, nas dimensões socioeconômicas e ambientais;
  • Equidade no acesso dos cidadãos ao transporte público coletivo;
  • Eficiência, eficácia e efetividade na prestação dos serviços de transporte urbano;
  • Gestão democrática e controle social do planejamento e avaliação da Política Nacional de Mobilidade Urbana;
  • Segurança nos deslocamentos das pessoas;
  • Justa distribuição dos benefícios e ônus decorrentes do uso dos diferentes modos e serviços;
  • Equidade no uso do espaço público de circulação, vias e logradouros;
  • Eficiência, eficácia e efetividade na circulação urbana.” (Política Nacional de Mobilidade Urbana – Lei n° 12.587/12)

Pela lei, a gestão do Sistema Nacional de Mobilidade Urbana ⏤ isto é, o conjunto organizado e coordenado dos modos de transporte, de serviços e de infraestruturas de mobilidade dos municípios ⏤ visa garantir que os municípios possuam os instrumentos necessários para melhorar as condições de mobilidade nas cidades brasileiras.

Desafios da mobilidade urbana

Para apoiar o planejamento e a formulação de políticas públicas para a mobilidade urbana nacional, a Secretaria Nacional de Mobilidade e Desenvolvimento Regional e Urbano realiza levantamentos com 3.476 municípios, mais o Distrito Federal, para entender os processos de elaboração de seus Planos de Mobilidade Urbana.

Por este motivo, dentre os acordos, estão as datas-limite para que os planos sejam elaborados e aprovados:

“I – até 12 de abril de 2022, para Municípios com mais de 250.000 (duzentos e cinquenta mil) habitantes;
II – até 12 de abril de 2023, para Municípios com até 250.000 (duzentos e cinquenta mil) habitantes.” (Política Nacional de Mobilidade Urbana – Lei n° 12.587/12)

De acordo com o levantamento de 2020, o Brasil possui 5.569 municípios mais o Distrito Federal (segundo o IBGE), entretanto apenas 67% (2.315 municípios) declararam ter um plano para seu território. 

Gráfico sobre a taxa de respostas por porte de município do levantamento feito pela Secretaria Nacional de Mobilidade e Desenvolvimento Regional e Urbano.
Taxa de respostas por porte de município. Fonte: Secretaria Nacional de Mobilidade e Desenvolvimento Regional e Urbano

Além disso, o levantamento também mostra que essa parcela de municípios que possui um plano é maior nas regiões Sul (76%) e Sudeste (77%).

Gráfico sobre a taxa de respostas por regiões do levantamento feito pela Secretaria Nacional de Mobilidade e Desenvolvimento Regional e Urbano.
Taxa de respostas por regiões. Fonte: Secretaria Nacional de Mobilidade e Desenvolvimento Regional e Urbano

Por esse motivo, um dos maiores desafios da mobilidade urbana nacional é o envolvimento de todos os municípios em prol do estabelecimento de políticas públicas capazes de trazer o suporte suficiente para garantir a melhoria das condições de mobilidade nas cidades brasileiras.

De acordo com uma pesquisa feita em 2020 pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS), chamado “Mobilidade de baixas emissões, qualidade do ar e transição energética no Brasil”, 42% dos entrevistados utilizam ônibus como principal meio de transporte ao longo do dia.

Perfil dos 2 mil entrevistados da pesquisa sobre mobilidade feita pelo Instituto Clima e Sociedade.
Perfil dos 2 mil entrevistados da pesquisa sobre mobilidade feita pelo Instituto Clima e Sociedade. Fonte: epbr, iCS

Entretanto, a qualidade do transporte público ainda é questionada pela população, sendo este mais um dos desafios da mobilidade urbana nacional.

Arte mostra quais são as palavras que melhor resumem o transporte público, de acordo com os entrevistados. Sendo a primeira "ônibus" e a última "horrível".
Para os entrevistados, dentre as palavras que melhor resumem o transporte público, encontram-se “péssimo”, “superlotação” e “caos”, por exemplo. Fonte: epbr, iCS

Por esse motivo, é muito importante que sejam criadas políticas públicas que realmente atendam aos principais problemas relatados pela população.

Mobilidade urbana sustentável

A pesquisa feita pelo iCS também revela que três em cada quatro pessoas, dentre os entrevistados, possuem veículo de uso particular, afinal, o carro ainda é um meio de transporte muito recorrente nas grandes cidades.

Arte mostra qual é a porcentagem de pessoas que possuem ou moram com alguém que possuem algum veículo, como carro e moto, por exemplo.
47% dos entrevistados possuem carro. Fonte iCS

Enquanto isso, para os entrevistados, dentre as palavras que melhor resumem “carro”, algumas delas chamam a atenção: “conforto”, “necessidade” e “trânsito”.

Arte mostra quais são as palavras que melhor resumem carro, de acordo com os entrevistados. Sendo a primeira "conforto" e a última "poluição".
A pesquisa também perguntou aos entrevistados qual palavra melhor resume “carro”. Fonte iCS

De acordo com o estudo Mobility Futures, feito pela consultoria Kantar, que analisou o futuro da mobilidade urbana em 31 cidades do mundo, até 2030, o uso de bicicletas deve aumentar 47% em São Paulo, contra um aumento de 10% no uso de transporte público e 25% nas caminhadas.

Outro ponto notável é que o uso de carro como meio de transporte deve cair 28% na capital na próxima década, afinal, o estudo também mostra que São Paulo é a terceira cidade do mundo onde os moradores estão mais dispostos a mudar o uso de meios de transportes.

Entretanto, no centro da cidade de São Paulo já é possível perceber que abandonar o uso dos carros é uma tendência.

Seja por causa do estresse gerado pelo trânsito, seja pela poluição atmosférica causada pelas substâncias tóxicas emitidas pelos automóveis, muitas pessoas têm optado pela bicicleta ou pelo deslocamento a pé.

Essa tendência também tem impactado o mercado imobiliário. Em entrevista exclusiva ao Live, Mariana Belomo, gerente de marketing da Magik JC, e André Cassiano, que atua como gerente comercial, explicaram como o perfil dos compradores dos empreendimentos da linha Bem Viver está alinhado com a ideia de viver utilizando outras formas de deslocamento, aproveitando tudo o que o centro  da cidade fornece.

“A infraestrutura no centro é completa e, além disso, no centro também estão as maiores oportunidades de emprego… Agora existe esse perfil de novos compradores, de 25 a 35 anos… Na época dos meus pais, as pessoas queriam comprar uma casa, um carro, seguindo umas regrinhas, como metas a serem batidas durante a vida. E em relação ao uso do carro, a geração que veio agora já provou que não quer necessariamente ter um”.

Mariana Belomo, gerente de marketing da Magik JC.
Fachada do empreendimento Bem Viver Centro Novo.
Fachada do empreendimento Bem Viver Centro Novo. Fonte: Apto

No empreendimento Bem Viver Centro Novo, por exemplo, não existem vagas de garagem. Cassiano comenta que o fator que explica essa situação é a preocupação com a sustentabilidade:

“A mobilidade urbana está ligada à questão financeira, a uma questão cultural e à sustentabilidade… então [as pessoas] criam alternativas sem ter que utilizar o carro, por exemplo. São jovens, pessoas ativas que buscam a independência, conhecer coisas novas e sabem da importância de morar próximo do trabalho”.

André Cassiano, gerente comercial da Magik JC.

É possível perceber que ainda que a mobilidade urbana encontre algumas dificuldades pelo caminho, existe uma tendência a encontrar novas formas de deslocamento que também sejam capazes de promover maior qualidade de vida.

Você conhece o plano de mobilidade do seu município? Gosta do transporte público ou utiliza bicicletas compartilhadas? Prefere utilizar carro? Deixe seu comentário!

E se você gosta de conteúdos relacionados à cidade, não deixe de conferir o post: Descubra o que é movimento pendular e entenda como a pandemia interfere nesse fenômeno.

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