Gustav Klimt – Biografia e obras

Gustav Klimt – Biografia e obras
Victória Baggio

Por Victória Baggio

18 maio 2022

Gustav Klimt é conhecido por suas pinturas douradas , feitas com folhas de ouro. Ele foi um pintor austríaco que marcou o movimento Art Nouveau, cuja obra reverbera até os dias atuais. 

A busca de Klimt por criar uma arte nova, que não partisse da academia e dos padrões clássicos, resultou em obras cheias de simbologia e novos usos de materiais. A combinação entre o abstrato e o realismo brindam as suas pinturas com uma característica única.

Um artista que abordou, através da arte, temas na época polêmicos, como o prazer feminino. Obras que, apesar de terem sido criadas há mais de 100 anos, continuam extremamente contemporâneas aos dias atuais. 

Biografia de Gustav Klimt

Nascido dia 14 de julho de 1862, ao sul de Viena, no pequeno município de Baumgarten, na Áustria Imperial. Filho de Ernst Klimt e Anna Klimt, naturais da região, Gustav Klimt compunha a família com mais seis irmãos. 

Seu gosto pela arte manifestou-se desde criança, levando-o, aos 14 anos, logo após concluir a Escola Primária, a ser admitido pela Escola das Artes Decorativas de Viena, instituto com forte vínculo com o Museu Austríaco Imperial e a Real Arte e Indústria de Viena.

Um dos irmãos mais novos de Klimt, Ernst, também se formou em seguida na mesma escola de artes. Contudo, os dois irmãos começaram a trajetória artística juntos, desenhando e vendendo retratos que faziam com base em fotografias.

A partir de 1880, as encomendas dos irmãos Klimt começaram a intensificar-se e a ganhar maior escala. Ao mesmo tempo, eles fizeram obras de alegorias para o Palácio Sturany em Viena, na Vila Hermès, e até mesmo auxiliaram na pintura das mulheres do átrio do Museu de História da Arte de Viena.

A ascenção de Gustav Klimt

Com o trabalho em ascensão, Gustav Klimt decide abrir um estúdio independente, especializado em pintura de murais. Em 1887, o pintor foi contratado para pintar o interior do antigo Teatro Imperial, cujo posteriormente recebeu prêmios.

Pintura no teto do Teatro de Taormina, Viena, 1886.
Pintura no teto do Teatro de Taormina, Viena, 1886. Fonte: Meisterdrucke

Dado esse sucesso, o pintor foi convidado a pintar três importantes painéis no auditório da Universidade de Viena, que representam as figuras “Filosofia, Medicina e Jurisprudência” (1894).

No entanto, diferentemente dos painéis pintados por Klimt até o momento, os quais seguiam a pintura clássica e academicista, dessa vez, o pintor cria três obras de arte vanguardistas, que incluíam, entre curvas sinuosas e espirais nebulosas, a representação de elementos tabu como o nu feminino, o que causou repúdio de muitos na época.

Após o escândalo, Gustav Klimt decidiu afastar-se de encomendas públicas, passando a dedicar-se exclusivamente a paisagens e retratos. 

Cartaz da Exposição da Secessão Vienense, desenhado por Gustav Klimt.
Cartaz da Exposição da Secessão Vienense, desenhado por Gustav Klimt. Fonte: Mahler Foundation 

No início do século XX, Gustav Klimt viajou à Itália, onde foi completamente inspirado pela arte italiana renascentista e marcou um ponto-chave na história da sua carreira. Depois disso, o pintor deu início ao que foi chamada de sua época dourada, por usar folhas de ouro em suas pinturas, que retratavam principalmente mulheres. 

A mudança

Em 1909, após uma viagem a Paris, Klimt abandona o dourado e passa a criar uma obra completamente diferente, mais abstrata e simples. Desenhos de poucas linhas e menos cores representavam figuras femininas em posturas íntimas. 

Gustav Klimt.
Gustav Klimt. Fonte: Wiki Art

A excentricidade de Gustav Klimt refletida em suas obras e também na maneira de ser do artista, que, posteriormente, foi considerado uma figura exótica que vestia uma túnica escura. Tal caracterização o afastou da Academia de Arte de Viena. 

Klimt faleceu em Viena, dia 6 de fevereiro de 1918, devido a um ataque de apoplexia, deixando várias obras inacabadas em seu ateliê.

O pintor e a estilista

Embora Gustav Klimt nunca tenha se casado, o pintor teve um romance que durou boa parte da sua vida. Sua companheira e musa foi Emilie Flöge, estilista boemia vienense.

Emilie e sua irmã eram donas de um ateliê de alta costura em Viena, chamado Schwestern Flöge (Irmãs Flöge).

A irmã mais velha de Emilie, Helene, havia sido casada com Ernst, irmão de Klimt, que morreu ainda jovem.

Emilie Flöge e Gustav Klimt.
Emilie Flöge e Gustav Klimt. Fonte: Neue Luxury

Emilie, assim como Klimt, era vanguardista, suas criações na moda seguiam tendências feministas da época, inspiradas em Coco Chanel, defendendo roupas mais confortáveis e usuais para as mulheres.

A relação amorosa de Gustav e Emilie refletiu no trabalho artístico de ambos. Os motivos e as cores dos vestidos representados nas obras de Klimt eram sempre inspirados na estilista, além de retratar sua amante em suas pinturas. Klimt também chegou a desenhar vestidos para Flöge.

Após a morte do pintor, a estilista herdou metade do seu patrimônio.

Obras icônicas de Gustav Klimt

Ao longo da trajetória de Klimt, podemos destacar várias obras importantes. Pinturas de uma beleza excêntrica para a época, cuja vanguarda e delicadeza são aspectos intrínsecos. 

Pinturas das Faculdades 

A chamada Pinturas das Faculdades é uma obra composta por três painéis encomendados em 1894 pela Universidade de Viena para representar Filosofia, Medicina e Jurisprudência.

As alegorias criadas por Klimt eram exuberantes e coloridas; a representação das disciplinas aparece através de simbologias e figuras míticas. O corpo feminino se apresentou com delicadeza, nudez e posturas consideradas eróticas. 

Foto em preto e branco Pintura Medicina, de Gustav Klimt, e sua recriação digital.
Foto em preto e branco Pintura Medicina, de Gustav Klimt, e sua recriação digital. Fonte: El País

Após o escândalo da repercussão da obra, os painéis quase foram retirados do local.

Durante a Segunda Guerra Mundial, as obras foram completamente destruídas pelos nazistas, e tudo o que se tinha até então eram fotos em preto e branco e os ensaios críticos da época que foram expostos.

Contudo, graças a estudiosos de Klimt aliados às novas tecnologias, foi possível recriar a obra virtualmente, inclusive as cores utilizadas. 

A época dourada de Klimt

A fase que ficou mais famosa de Klimt, com certeza, foi a chamada época dourada, em que o pintor utilizou folhas de ouro, combinadas com cores vibrantes em padronagens vanguardistas. 

As pinturas representavam principalmente mulheres, através de curvas sinuosas e rostos delicados. A princípio, o amor e as diferentes etapas da vida eram o motivo das obras, que mostravam a relação entre mãe e filho, como também de amantes, além de pinturas de retratos de mulheres, ficando evidente a força feminina.

Criadas na primeira década do século XX, tais pinturas marcaram o movimento Art Nouveau, fazendo de Klimt um dos principais artistas do período.

Judith I

Judith I, Gustav Klimt, 1901.
Judith I, Gustav Klimt, 1901. Fonte: Wikipedia

A famosa obra Judith I, de Gustav Klimt, retrata a personagem bíblica Judite segurando a cabeça de Holofernes. 

A obra evidencia o poder feminino, representando Judith como uma femme fatale, forte e sensual, em um diálogo direto com o observador.

O fundo dourado e a vestimenta da personagem contrastam com seu rosto realista. 

O beijo

O Beijo, de Gustav Klimt, 1907.
O Beijo, de Gustav Klimt, 1907. Fonte: Europosters

A obra O beijo, criada em 1907, é uma das peças-chave do Art Nouveau e uma das principais pinturas de Gustav Klimt. 

Como um reflexo da relação que o pintor tinha anteriormente com Emilie Flöge, a obra simboliza a união entre o amor espiritual e o erótico, em uma fusão do indivíduo com a eternidade.

O quadro, com dimensões de um painel quadrado, com 1 metro e 80 centímetros de lado, pode ser admirado na Galeria Belvedere, em Viena, assim como boa parte da obra do pintor.

Gustav Klimt teve uma carreira notória, onde sua excentricidade refletia em todas as suas obras. Confira um resumo de sua trajetória:

Imagem ilustrativa da linha do tempo da vida de Gustav Klimt.
Imagem ilustrativa da linha do tempo da vida de Gustav Klimt. Fonte: Live
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Arquiteta com formação no Uruguai e Portugal, atualmente mestranda em projeto de arquitetura. Apaixonada pelo fazer e escrever sobre arquitetura.

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