Ayrton Senna da Zona Norte, ops… do Brasil!

Senna continua presente na mente e no coração do brasileiros, principalmente os da Zona Norte de São Paulo

Há mais de 20 anos de sua morte, ninguém se esquece das alegrias que Senna nos proporcionava nas manhãs de domingo. Alegrias para nós, trabalho com altíssimo nível de concentração para Senna.

Concentração essa que agora ganhou vida no mural de Eduardo Kobra, na Rua da Consolação, 2608, que destaca com perfeição o olhar fixo do nosso campeão.

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Muitos consideram Senna como um amigo, sem nunca nem ter encontrado ele pessoalmente. Esse é o nível de carisma que milhões de brasileiros tem por ele, mas para alguns moradores da Zona Norte de São Paulo a relação com o campeão foi bem mais próxima.

Foi no bairro de Santana, na Rua Aviador Gil Guilherme (em frente ao Campo de Marte), que Ayrton Senna da Silva iniciou seu caminho para as vitórias.

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Os amigos e vizinhos da família, nos bairros da Zona Norte, são fundamentais para saber como foi o início da carreira, os primeiros passos, os primeiros metros percorridos. São pessoas, vizinhos e comerciantes, que tiveram a oportunidade de tirar uma foto ou guardar, nem que por instantes, um momento especial de Senna na região. São memórias gravadas na mente de cada morador, e o quanto foi querido na Zona Norte.

A família Senna da Silva saiu de Santana e foi morar na Rua Condessa Siciliano, no Jardim São Paulo, dos 4 aos 12 anos de idade. Nessa época, Ayrton ganhou o apelido de “Beco”. Carinhoso apelido que foi dado pela família, desde pequeno.

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Nas ruas do Jardim São Paulo, o futuro piloto começou a percorrer os primeiros metros com seu kart, e se interessou pelo assunto. Seu pai, Milton, era quem o incentivava. Dono da Univel, empresa de autopeças que ficava no bairro da Vila Albertina, Milton construiu o primeiro carro de kart do futuro campeão com um motor de geladeira, nada potente. Senna tinha apenas quatro anos e brincava de montar e desmontar as peças. Aos 10 anos, pilotava nos finais de semana, no Parque Anhembi, e já demonstrava talento e determinação.

O carrinho de kart passou a circular pelo bairro do Tremembé, quando a família se mudou para a Rua Pedro, na casa da imagem abaixo. Era comum ouvir o ronco dos motores pelas ruas da Região, e os vizinhos sequer imaginavam que o garoto seria um futuro campeão.

Vida de estudante

Senna estudou no Colégio Jardim São Paulo e Colégio Santana. O primeiro foi onde o piloto começou seus estudos, no período pré-escolar. Ayrton permaneceu no Jardim São Paulo por apenas dois anos, em 1965 e 1966 (foto abaixo).

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Depois, foi a vez de o Colégio Santana receber o ídolo. Ayrton estudou no tradicional Colégio do 1º ao 4º ano. Centenário e religioso, o Colégio Santana era dividido com alas para moças e rapazes. Senna teve de sair do colégio, pois o 5º ano não possuía turmas de meninos. O Colégio também educou a mãe do piloto, Dona Neide, e os irmãos Viviane e Leonardo, e Senna concluiu os estudos básicos, no Colégio Rio Branco.

Dona Maru, assistente administrativa e que também estudou no Colégio Santana, sempre exalta o fato de o piloto ter feito parte da história do local. “Emociono-me ao ver os arquivos. Temos guardados todos os recortes, jornais e revistas de quem nos procurou para falar sobre ele. Até jornalistas do Japão já vieram nos visitar. É um orgulho”. No Colégio, as lembranças do piloto estão presentes em folders de divulgação, cartazes e em um quadro pintado por um ex-aluno em homenagem a Senna.

Comemorações e negócios na Zona Norte

As vitórias de Ayrton Senna eram, algumas vezes, comemoradas na Zona Norte. Mesmo que Senna tivesse pouco tempo para ficar no Brasil, em razão das corridas pelo mundo, momentos inesquecíveis ficaram na memória dos moradores da Região. Uma dessas raras imagens foi quando o piloto ganhou, pela primeira vez, o GP Brasil de Fórmula 1, em 1991.

Na casa da família, na Av. Nova Cantareira, Senna tremulava a bandeira do Brasil para a multidão que tentava tirar uma foto ou, simplesmente, gravar aquele instante único, histórico. Uma imagem que não sairá da cabeça dos moradores da Zona Norte.

Essa casa era vizinha de fundo com a casa de Cláudio Mosquetti, que tem um depoimento da humildade de Senna. “Um dia, já correndo na F1, ele parou o carro na banca de jornais da rua Conchília. Eu estava de moto, de capacete, e parei na esquina. Ele veio até mim e bateu nas minhas costas: ‘Fala Claudião!“.

Com o crescimento dos negócios e da carreira, Senna estabeleceu seu escritório na Rua Dr. Olavo Egídio, em Santana, e foi o responsável pela construção do heliponto do prédio. Ali, o Instituto Ayrton Senna deu os primeiros passos, por meio de projetos sociais e educativos, um desejo do piloto. Atualmente, o Instituto fica em Pinheiros e é dirigido pela irmã, Viviane Senna.

Legado para a história

As obras do Instituto Ayrton Senna contribuem para a formação e educação de centenas de crianças e jovens. Os ideais de vitória, determinação e respeito são traços daquele menino, nascido na Zona Norte, deixados até hoje para a construção de um Brasil melhor. Seu nome está espalhado por várias obras de arte, ruas, praças e localidades pelo mundo. A Estação de Metrô Jardim São Paulo ganhou, em 2011, o nome do piloto. Uma homenagem justa àquele que é o mais ilustre representante da Região.

Ayrton Senna marcou presença em nossas vidas, deixando uma lacuna, jamais preenchida depois do acidente, em Ímola, na Itália. Os domingos, quando nos reuníamos com a família e amigos para comemorar cada vitória, nunca mais foram os mesmos. O “Tema da Vitória”, música entoada pelas transmissões da Rede Globo, a cada conquista do piloto, virou sinônimo de Ayrton Senna.

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São 20 anos sem o piloto, mas Ayrton se mantém vivo em nossas lembranças e corações, especialmente na Zona Norte, onde o piloto nasceu e cresceu.

Essa foi a história de Ayrton Senna da Zona Norte, ops… do Brasil!

/via Portal ZN na LinhaJornal SP Norte, Ed. 609.

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