Zaha Hadid – biografia e suas obras

Mulher, árabe e disposta a desconstruir o óbvio, Dame Zaha Mohammad Hadid revolucionou a arquitetura com sua maneira inovadora de lidar com as formas. A quebra de paradigmas sempre foi uma constante na vida de Zaha Hadid.

Reconhecida mundialmente como Rainha das Curvas, a arquiteta utilizava traços desafiadores aliados ao seu estilo avant-garde. O resultado? Obras deslumbrantes, fluidas e repletas de formas sinuosas, que aparentam ser tão leves quanto uma folha.

A arquiteta nasceu no dia 31 de outubro de 1950, na cidade de Bagdá, no Iraque. Foi durante sua primeira formação acadêmica, um curso de Matemática, pela Universidade Americana de Beirute, no Líbano, que Zaha percebeu uma união entre a lógica matemática, o abstrato da caligrafia árabe e a arquitetura.

Zaha Hadid observa a paisagem.
Zaha Hadid nasceu em Bagdá, no Iraque. Fonte: Pinterest

Aos 22 anos, em 1972, entrou para a célebre Architectural Association School of Architecture, em Londres. E foi durante essa segunda formação que ela aprimorou seu talento com as formas e conheceu dois professores fundamentais em sua trajetória: Elia Zenghelis e Rem Koolhaas.

Zaha ainda teve a oportunidade de trabalhar com eles durante o período em que atuou no Office for Metropolitan Architecture (OMA), renomado escritório de arquitetura fundado por Koolhaas, Zenghelis e outros parceiros. 

O início de uma carreira renomada

Zada Hadid no escritório.
Zaha deixou um legado brilhante. Fonte: Forbes Woman

Grande entusiasta da arte abstrata, Zaha Hadid foi capaz de revolucionar a arquitetura do século 21 por meio do dinamismo e da inovação que entregou a seus projetos, estabelecendo uma nova perspectiva para o espaço, muito além do óbvio.

Nos anos 1980, ela decidiu abrir seu próprio escritório, o Zaha Hadid Architects. Até  hoje, o escritório atua em todas as escalas e setores da arquitetura mundial, com mais de 950 projetos realizados em 44 países. 

A arquiteta passou grande parte do início de sua carreira pintando, desenhando e inventando em sua mente o tipo de trabalho que gostaria de executar: a arquitetura que ainda não havia sido criada por ninguém. Seu reconhecimento iniciou-se em 1983, quando venceu um concurso para o qual precisava projetar um clube de recreação privado no Victoria Peak, em Hong Kong.

Projeto da obra The Peak Leisure Club.
Projeto The Peak Leisure Club. Fonte: Zaha Hadid Architects

Intitulado The Peak Leisure Club, o projeto garantiu-lhe a vitória, mas nunca saiu do papel. Porém, ele é a prova de que o objetivo de criar algo além do óbvio se concretizou logo no início de sua carreira. Afinal, sua construção não aconteceu, em partes, porque sua arquitetura era quase impossível de realizar num momento em que o design ainda não possuía o suporte tecnológico necessário.

O primeiro projeto de Zaha e de seu escritório ganhou vida em 1993, quando ela foi contratada para projetar a Estação do Corpo de Bombeiros de Vitra.

As influências no trabalho inovador de Zaha Hadid

Zaha Hadid em uma estrutura curvilínea que caracteriza as curvas de suas obras.
Zaha Hadid e as curvas que caracterizam suas obras. Fonte: The Conversation

O estilo predominante nos projetos de Zaha certamente é o desconstrutivismo, cuja premissa é a desconstrução das clássicas formas lineares por meio da fragmentação das obras arquitetônicas.

Com estruturas assimétricas, formas fluidas e curvas que mantêm a elegância proveniente do modernismo, a arquiteta coleciona diversos projetos desafiadores em sua carreira. Falando em curvas, Zaha sempre enalteceu o trabalho do arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer, responsável pela arquitetura do Edifício Copan, por exemplo.

Dentre suas influências, a principal é o pintor abstrato russo Kazimir Malevich, que por meio de suas obras inspirou Zaha a incorporar o pincel como uma ferramenta arquitetônica. 

Além disso, a arquiteta sempre utilizou a observação da natureza como um método de preparo. Assim como os desenhos e os croquis, esse exercício de observação foi essencial para definir sua preferência pelas curvas e formas fluidas, ao passo que a implementação de tecnologias de ponta foi indispensável para a realização dos designs mais futurísticos característicos do seu estilo.

 A arquiteta fez história

Zaha Hadid e sua medalha Royal Golden Medal 2016.
Zaha Hadid usando sua medalha Royal Golden Medal 2016. Fonte: RIBA Architecture

Logo após lançar seu nome e seu estilo, Zaha começou a fazer história. Em 2004, tornou-se a primeira mulher a receber o prêmio Pritzker de Arquitetura, a maior referência mundial de premiação da arquitetura. Trata-se da maior honraria que o um arquiteto pode receber.

Em 2008, entrou na lista das 100 mulheres mais influentes do mundo, em uma publicação da revista Forbes, ocupando a 69ª posição.

A arquiteta também ganhou duas vezes o Prêmio Stirling do Instituto Real de Arquitetos Britânicos (RIBA), uma premiação britânica para os maiores destaques da arquitetura. A primeira vez, em 2010, por projetar o museu MAXXI em Roma. A segunda, em 2011, pelo projeto da escola Evelyn Grace Academy.

Ainda por meio do RIBA, Zaha Hadid também foi a primeira mulher a ser reconhecida individualmente com a medalha Royal Golden Medal 2016, a maior honraria da arquitetura do Reino Unido, aprovada pessoalmente por Elizabeth II, a rainha britânica.

Zaha Hadid posa em frente a sua obra Serpentine Sackler Gallery.
Zaha Hadid em frente a sua obra Serpentine Sackler Gallery, inaugurada em 2013. Fonte: Pinterest

Por causa do seu excepcional legado na arquitetura contemporânea, a arquiteta também já foi eleita Dama da Ordem do Império Britânico, uma das maiores honrarias do Reino Unido. Suas obras já foram premiadas em todo o mundo diversas vezes.

Membro honorário da Academia Americana de Artes e Letras e do Instituto Americano de Estudantes de Arquitetura (AIAS), Zaha também teve uma forte atuação acadêmica como professora convidada em diversas universidades, como a Yale University. Também ocupou alguns cargos acadêmicos em universidades como a Escola de Design da Universidade de Harvard.

Além dos projetos arquitetônicos, a arquiteta também fez parcerias na moda, lançando coleções com marcas como Melissa e Lacoste, e ainda escreveu um livro sobre seus projetos, o Zaha Hadid: obra completa, de 2004. Outro lançamento, desta vez o livro póstumo e assinado por seu escritório, foi: Zaha Hadid Architects: Redefinindo Arquitetura e Design, de 2017.

Obras de Zaha Hadid 

Zaha Hadid faleceu aos 65 anos, no dia 31 de março de 2016. Seu precioso legado, repleto de belíssimas obras como centros esportivos, escolas e museus, é a eternização de seu trabalho em vida e toda a inspiração que ela representa para várias gerações de arquitetos.

Estação do Corpo de Bombeiros de Vitra

Estação do Corpo de Bombeiros do Vitra Campus construído em 1993.
Estação do Corpo de Bombeiros do Vitra Campus construído em 1993. Fonte: Pinterest

Em 1993, a arquiteta fez seu primeiro projeto que chegou a ser construído, localizado na cidade alemã Weil am Rhein, no parque de arquitetura Vitra Campus. Zaha foi contratada para projetar a estação do Corpo de Bombeiros, cujo objetivo da construção era trazer mais segurança para o local após o incêndio que aconteceu no campus em 1981.

Com dobras, linhas e uma estética claramente desconstrutivista, o estreito prédio de concreto repleto de dinamismo deu início à brilhante carreira de Zaha. Hoje em dia, o prédio é utilizado para eventos organizados pelo Museu Vitra Design

Museu MAXXI

Museo delle Arti del XXI Secolo, em Roma, projetado por Zaha Hadid.
Museo delle Arti del XXI Secolo, em Roma. Fonte: World Architecture

Criado nos antigos quartéis desativados de Roma, o Museo delle Arti del XXI Secolo abriga obras de arte e de arquitetura.

Em uma pré-seleção com 273 arquitetos de diversas partes do mundo, Zaha foi a convidada para projetar o museu. Com esse projeto, recebeu o renomado Prêmio Stirling do Instituto Real de Arquitetos Britânicos (RIBA).

Após dez anos de obras, foi inaugurado em 2010 e impressiona pela continuidade e pela beleza dos espaços, além de ser o primeiro museu de arte contemporânea na Itália.

Centro Aquático dos Jogos Olímpicos de Londres

Centro Aquático dos Jogos Olímpicos de Londres 2012.
Zaha Hadid projetou o Centro Aquático dos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012. Fonte: Pinterest

Inspirando-se na fluidez da água, a arquiteta utilizou a curva como elemento principal desta obra. Projetado para atender até 17.500 pessoas durante o evento, o centro aquático foi utilizado nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012.

Com três pilares de concreto que suportam 2,8 mil toneladas de treliças metálicas, os espaços foram palco de inúmeras modalidades aquáticas das Olimpíadas, como nado sincronizado, natação, polo aquático e saltos ornamentais.

Estádio Al Wakrah

Estádio Al Wakrah, no Catar.
Estádio Al Wakrah, no Catar. Fonte: LinesMag

Desenvolvido para a Copa do Mundo de 2022 no Catar, o estádio localiza-se em uma cidade costeira ao sul de Doha e teve um custo de 575 milhões de dólares. Com uma estética fluida, o projeto tem como inspiração as tradições marítimas.

Com capacidade para 40 mil pessoas, o estádio já foi inaugurado. Sua cobertura é retrátil e foi inspirada em velas de barcos pesqueiros. A estrutura ainda possui arcos de 230 metros que se assemelham a ondas e lembram uma espécie de concha. 

Apesar da grandiosidade e da beleza da obra, alguns críticos fizeram piadas desnecessárias sobre a estrutura, causando polêmicas. Zaha, por sua vez, não se omitiu e brilhantemente questionou se esses comentários teriam sido feitos caso o projeto fosse de autoria masculina.

Zaha Hadid Architects

Além de sua importância na arquitetura do século 21, Zaha Hadid também é eternizada pelo seu escritório Zaha Hadid Architects, que ainda cria inúmeros projetos, é premiado constantemente e honra o seu legado.

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