Bauhaus: a escola símbolo do design e arquitetura modernista

    Bauhaus: a escola símbolo do design e arquitetura modernista
    Victória Baggio

    Por Victória Baggio

    04 maio 2020

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      A Bauhaus, escola de design e arquitetura alemã, completou recentemente 100 anos de sua abertura. Embora tenha existido somente durante 14 anos, atraiu e inspirou artistas de muitas nacionalidades. Seu legado continua influenciando o modo como se cria design e arquitetura de maneira essencial. 

      Como o próprio nome sugere, Bauhaus, que significa casa da construção, era um grande ateliê coletivo, lugar de experimentação e construção. Buscava-se, na metodologia de ensino da escola, uma síntese entre a arte e a técnica, ensinar “o hábito de pensar, idealizar e projetar o processo produtivo por inteiro”.

      Pôster da Bauhaus.
       Pôster da Bauhaus. Fonte: Ourartworld

      O objetivo principal da escola de artes e ofícios era levar design a objetos funcionais de uso cotidiano, de maneira acessível para a sociedade. Mas, além do designers de produto e gráfico, a escola também formou arquitetos, fotógrafos, estilistas e artistas.

      Design Bauhaus

      A meta principal do movimento Bauhaus era o projeto de artigos standard para uso diário. Alguns desses objetos são conhecidos e replicados até os dias atuais. 

      Móveis com linguagem modernista, criados com formas simples por professores e alunos da Bauhaus, foram inovadores na época, e com o tempo tornaram-se os mais emblemáticos do século XX.

      Berço para bebê, feito em madeira pintado de cores primárias.
      Berço para bebê, por Peter Keler, 1923. Fonte: Smow

      Objetos que poderiam ser simples se tornam verdadeiras obras de arte. E, o melhor, além de belos são úteis e confortáveis.

      Infusor de chá de metal.
      Infusor de chá, por Marianne Brandt. Fonte: Met Museum

      A cadeira Barcelona, projetada pelo arquiteto e diretor da escola, Mies Van der Rohe, ultrapassa modismos e é vista até hoje em muitas casas contemporâneas.

      Cadeira Barcelona, de Mies van der Rohe e Lilly Reich, fortes expoentes da Bauhaus.
      Cadeira Barcelona, de Mies van der Rohe e Lilly Reich. Fonte: Knoll

      Marcados pelo uso de cores primárias, linhas geométricas e metal, formando uma composição harmônica, esses elementos foram pioneiros na sua estética.

      Mesas de encaixe, por Josef Albers.
      Mesas de encaixe, por Josef Albers. Fonte: Daimler

      Arquitetura Bauhaus

      Para além do design de objetos e gráfico, o movimento Bauhaus também transformou o modo de fazer arquitetura na época. Para a segunda sede da escola, em Dessau, o diretor arquiteto Walter Gropius projetou um edifício inovador. 

      Edifício da escola de artes Bauhaus
      Edifício da Bauhaus em Dessau. Fonte: Archdaily

      Além de escola, as instalações também contavam com habitações para estudantes e professores, auditório e escritórios. Portanto, esses ambientes estavam organizados em três alas, de maneira a formar uma espécie de cata-vento, se visto em planta ou em uma vista aérea.

      Conhecido pelo uso de novas tecnologias construtivas da época, o prédio tem como característica significativos planos envidraçados, estrutura metálica e concreto armado. 

      O arquiteto projetou o edifício como “obra de arte total”, projetando desde sua forma até pequenos detalhes. Além disso, incluiu os alunos da escola no processo; oficinas de pintura, metal e gráfica, por exemplo, contribuíram para a decoração interior, iluminação e sinalização do edifício. 

      Uma escola, três cidades

      Criada na Alemanha

      Criada em Weimar, na Alemanha, em 1919, por Walter Gropius, arquiteto e educador alemão, a escola surgiu com o desejo de transformar o jeito de pensar, fazer e ensinar arte. 

      Visando à fusão da formação artística com a artesã, boa parte do curso se dava de forma prática em ateliês. Divididas por temática e materiais, aconteciam oficinas de madeira, vidro, tecelagem, fotografia etc. Cada oficina era liderada por um artista e um artesão, denominados mestre da forma e mestre do artesanato, respectivamente. O objetivo da dupla direção era desenvolver de maneira equilibrada as aptidões artísticas e manuais. 

      Além da atividade prática nas oficinas, também havia o estudo teórico da forma, que compreendia as áreas de estudo: da natureza, dos materiais, da cor, da composição, da construção e representação, dos materiais e ferramentas.

      No entanto, essa estrutura de ensino da Bauhaus foi mudando ao longo do tempo, do diretor e da cidade onde a escola esteve. 

      Espaço de atelier da Bauhaus.
      Espaço de atelier da Bauhaus. Fonte: Dezeen

      Primeira transferência, Dessau

      Entre 1925 e 1932, a escola foi transferida para Dessau, período em que teve como diretor o arquiteto Hannes Meyer, e dirigiu-se para a produção em massa, vinculando os aprendizes com a prática por meio do desenvolvimento de protótipos. A ideia principal era que a escola fosse local de produção voltada à satisfação de necessidades sociais.

      Última etapa da escola Bauhaus

      O terceiro e último período da Bauhaus deu-se em Berlim, entre 1932 e 1933. Com o arquiteto Mies Van der Rohe como diretor, a escola passou a enfocar mais em ensino de arquitetura. Esta última etapa da escola foi interrompida por causa da instabilidade alemã na época, o que resultou em seu fechamento pelo governo nazista.

      Durante os três períodos da Bauhaus, passaram pela escola professores artistas renomados desde aquela época, que, durante o tempo de docência na escola, desenvolveram teorias da arte e experimentações. 

      O pintor Wassily Kandinsky, por exemplo, lecionava cores e formas, praticando e difundindo sua teoria sobre o uso das cores elementares (vermelho, amarelo e azul) e das formas básicas (círculo, triângulo e quadrado).

      Paul Klee, pintor vanguardista já reconhecido internacionalmente quando lecionava na escola, usava seus próprios trabalhos como material de trabalho com os alunos, que analisavam as obras em conjunto com o artista. 

      Legado Bauhaus

      Além de a Bauhaus ter recebido muitos estudantes de diversos lugares do mundo, e não só da Alemanha, após o fechamento da escola, muitos de seus professores migraram para outros países onde seguiram carreira. Estes, muitas vezes, além de docentes também haviam estudado na escola, praticavam e honravam seus princípios, seu modo de fazer e pensar. Seguiram, portanto, aplicando a metodologia e a linguagem da Bauhaus em escolas importantes da Europa, dos Estados Unidos e da América Latina, por exemplo. 

      A metodologia Bauhaus de ensino segue sendo utilizada em faculdades de design e arquitetura no mundo inteiro, incluindo o Brasil. O fazer, criar e projetar vinculado à prática é algo de extrema importância para estes cursos e, quando feito de maneira experimental e livre, tal como na Bauhaus, é possível chegar a resultados muito mais interessantes.

      Além disso, a postura de “menos é mais”, muito falada por Mies Van der Rohe desde aquela época, o funcionalismo, a simplicidade e a geometria fazem parte de uma linguagem que é usada até os dias atuais tanto no design quanto na arquitetura, por exemplo. 

      Com mais de 100 anos de história, o movimento Bauhaus segue influenciando vários campos relacionados à arte. Seu legado ultrapassa a maneira de criar design, arquitetura e artes plásticas, passando a ser também referência para estilistas em coleções de moda e cineastas em produções cinematográficas. 

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