Lúcio Costa – Biografia e obras

Lúcio Costa, arquiteto e urbanista brasileiro que ganhou grande destaque com o projeto piloto de Brasília, é considerado o grande precursor do Modernismo no Brasil, quebrando barreiras de uma arquitetura nada inovadora e colocando a arquitetura brasileira em destaque internacional.

Trajetória de Lúcio Costa 

Nascido em Toulon, na França, Lúcio Costa teve uma infância diferenciada. Devido ao trabalho de seu pai, que era almirante, viagens eram constantes durante o período de sua infância. Por isso, morou um tempo na Inglaterra e depois na Suíça, criando, assim, um repertório muito importante para seu destaque como arquiteto no futuro. 

Na sua volta ao Brasil, abriu, em 1922, um escritório de arquitetura em sociedade com Fernando Valentim e começou a realizar projetos no estilo neoclássico com algumas referências coloniais. Pouco depois, em 1924, ingressou na Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro. 

Lúcio Costa e o Modernismo

Mesmo com uma carreira brilhante, Lúcio Costa passou por um processo para conseguir obter grande destaque e reconhecimento como arquiteto e urbanista.

O começo de uma trajetória

A arquitetura moderna já estava acontecendo fora do Brasil, mas foi em 1929 que Lúcio Costa teve o primeiro contato com uma obra modernista em solo brasileiro, a Casa Modernista, de Gregori Warchavchik. 

Como resultado, esse contato despertou ainda mais seu apreço pelo movimento modernista que ele já observava através das obras de Le Corbusier e Mies van der Rohe, ícones mundiais do Modernismo. 

Casa Modernista, de Gregori Warchavchik, uma inspiração de Lúcio Costa.
Casa Modernista, de Gregori Warchavchik, apreciada por Lúcio Costa. Fonte: Archdaily

Enquanto exercia seu cargo de diretor, atualizou a escola contratando professores que seguiam as linhas modernistas e implantou um currículo baseado nas teorias funcionais da Bauhaus e de Le Corbusier, porém suas tentativas de implantar o Modernismo na escola tiveram grande rejeição do corpo docente e dos estudantes. 

Apenas seis meses depois de sua formação, Lúcio Costa foi convidado para o cargo de diretor da Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, com o objetivo de implantar um curso de arquitetura moderna. 

Em 1931, Lúcio Costa organizou o Salão Revolucionário, uma exposição que, pela primeira vez, reuniria apenas artistas e intelectuais da linha modernista, mas, como resultado de uma ideia tão revolucionária, acabou sendo exonerado do cargo de diretor.

Obra A feira, de Tarsila do Amaral, importante quadro exposto em evento organizado por Lúcio Costa.
Obra A feira, de Tarsila do Amaral, que foi exposta durante o Salão Revolucionário organizado por Lúcio Costa. Fonte: MASP

Mesmo não obtendo grande sucesso como diretor, devido aos fortes padrões da arquitetura da época, todos os seus esforços na renovação do pensamento da arquitetura no país seguindo o Modernismo foram reconhecidos e importantes para alavancar sua carreira. 

O reconhecimento com o Modernismo

Edifício do Ministério da Educação e da Saúde do Rio de Janeiro projetado por Lúcio Costa, traz princípios modernistas como pilotis e térreo livre.
Edifício do Ministério da Educação e da Saúde do Rio de Janeiro projetado por Lúcio Costa e equipe. Fonte: Archdaily

Apesar de todas as críticas, sua carreira continuou promissora e em 1935 foi convidado a projetar a nova sede do Ministério da Educação e da Saúde do Rio de Janeiro. Nesse projeto, Lúcio Costa trabalhou com jovens arquitetos, como Affonso Eduardo Reidy, Carlos Leão e Oscar Niemeyer, sob a coordenação de Le Corbusier.

Com sua carreira alavancada, Lúcio Costa foi convidado, em 1937, a se tornar diretor da Divisão de Estudos e Tombamentos do Serviço de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN, atual IPHAN) e permaneceu até sua aposentadoria. 

Dentro do SPHAN criou três frentes de trabalho: o tombamento, a recuperação e o restauro, revolucionando os critérios a serem adotados para a seleção dos monumentos a serem preservados.

Pavilhão Brasileiro na Feira Mundial de Nova York feito por Lúcio Costa e Oscar Niemeyer. Fonte: Archdaily

No ano de 1938 conquistou o primeiro lugar no concurso para o projeto do Pavilhão Brasileiro na Feira Mundial de Nova York e acabou convidando o segundo colocado, Oscar Niemeyer, para a realização em conjunto. O pavilhão ganhou um grande destaque durante a feira, sendo considerado um dos melhores projetos.

Toda a trajetória da carreira de Lúcio Costa levou-o ao seu grande ápice profissional, como resultado de muito aprendizado e crescimento, em 1957, quando venceu o concurso nacional para o plano piloto de Brasília, que seria a nova capital do país.

O projeto piloto de Brasília

Praça dos Três Poderes, parte da grande obra de Lúcio Costa, o projeto piloto de Brasília.
Praça dos Três Poderes. Fonte: Archdaily

A  ideia da transferência da capital do país para um novo local sempre existiu no governo e, em 1891, a constituição definiu o Planalto Central como o local onde seria construída a nova capital.

Na época a ideia não saiu do papel. Em 1956 o então presidente, Juscelino Kubitschek, lançou um concurso para o projeto urbanístico de Brasília. Dentre os 25 projetos, o primeiro lugar, de Lúcio Costa, fez algo inovador, o que agradou o júri, trazendo um conceito de horizontalidade.

Vista de cima a cidade assemelha-se a um avião: nas suas asas estão as moradias e, na parte central, os edifícios públicos, como os prédios do governo. No topo do projeto, na frente do “avião”, localiza-se a Praça dos Três Poderes, onde estão o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o Palácio da Justiça. 

Rascunho do projeto piloto de Brasília feito por Lúcio Costa. O desenho se assimila a um avião.
Rascunho do projeto piloto de Brasília feito por Lúcio Costa. Fonte: Archdaily

O projeto urbanístico de Brasília trazia as quatro funções básicas do Modernismo, propostas por Le Corbusier na Carta de Atenas: habitar, trabalhar, circular e recrear. Para conseguir atingir os pontos da cidade moderna, Lúcio Costa usou dois eixos que se cruzam, sendo um de obras públicas (trabalhar) e o outro de moradias (habitar). 

Na parte das moradias, o projeto traz novamente algo inovador. O arquiteto cria “superquadras”, com edifícios não muito altos para combinar com a paisagem local, e o térreo livre, elevado por pilares, para criar conexões visuais com toda a paisagem. Assim, o projeto mistura de forma sutil os preceitos do Modernismo com moradias, espaços verdes, espaços de lazer e áreas comerciais integradas.

Como seu foco era o projeto urbanístico da cidade, Lúcio Costa escolheu alguns nomes para a execução de outras esferas do projeto, dentre eles Oscar Niemeyer para o projeto das edificações e Burle Marx para o projeto dos espaços livres. 

Dessa forma, Brasília foi inaugurada em 21 de abril de 1960 e, em 1987, ganhou grande reconhecimento quando foi declarada Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), tornando-se um marco na arquitetura moderna.

Outras obras de Lúcio Costa 

Mas não só Brasília se tornou um marco na carreira de Lúcio Costa. Depois de sua entrada no SPHAN, muitas das suas obras, que agora seguiam completamente uma linha modernista, ficaram famosas e reconhecidas como marco da arquitetura nacional.

Museu das Missões – 1940

Museu das Missões, uma das obras primeiras obras de Lúcio Costa como diretor do SPHAN.
Museu das Missões, uma das obras de Lúcio Costa. Fonte: Archdaily

Um dos primeiros trabalhos de Lúcio Costa como diretor do SPHAN foi o Museu das Missões, que nasceu de uma pesquisa sobre os assentamentos jesuíticos localizados em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul, e das possibilidades de preservação e recuperação de toda a área. 

A premissa do museu surgiu quando, durante as pesquisas, obras de arte e ruínas foram encontradas. Assim, Lúcio Costa teve a ideia de criar um museu com a funcionalidade de abrigar todos objetos encontrados.

Ruínas jesuítas vistas de dentro do Museu das Missões projetado por Lúcio Costa. Fonte: Archdaily

O projeto do museu começou utilizando elementos construtivos e materiais recolhidos nas ruínas. A forma simples da edificação objetiva abrigar as obras achadas, mas, para criar um caráter mais moderno, o arquiteto utilizou o vidro como fechamento. 

A edificação permite manter contato visual com todas as ruínas e a paisagem local. Contudo, é considerada uma obra controversa; com grande simplicidade e sutileza, muitos a qualificam como uma obra apática, que não causa interesse ao ser explorada pelo público.

Parque Eduardo Guinle – 1954

Os três edifícios residenciais do Parque Eduardo Guinle, com linguagem modernista.
Os três edifícios residenciais do Parque Eduardo Guinle projetados pelo arquiteto. Fonte: Archdaily

O Parque Eduardo Guinle era originalmente um jardim de uma residência da década de 1920 da família Guinle. Após a propriedade passar a ser do Governo Federal, Lúcio Costa, em 1943, elaborou um plano de urbanização para uma nova utilização da área.

Assim, o projeto surgiu com o objetivo de preservar o máximo possível o desenho do parque já existente, mas dando um novo uso ao espaço. Inicialmente o projeto abrigaria um complexo residencial de seis edifícios, mas só três deles foram construídos, sendo eles Nova Cintra, Bristol e Caledônia.

Usando a mesma linguagem visual, os edifícios incorporam os princípios modernistas com o uso de pilotis, fachada livre e brise-soleil, mas ao mesmo tempo têm inovações que misturam melhor o edifício à paisagem e cultura local, como o uso de cobogós e treliças de madeira.

Fachada externa dos edifícios do Parque Eduardo Guinle, incorporando pilotis, fachada livre e brise solar, princípios modernistas adotados pelo arquiteto.
Fachada externa dos edifícios do Parque Eduardo Guinle projetados por Lúcio Costa. Fonte: Archdaily

Dentre os edifícios, só o edifício Nova Cintra traz uma diferença projetual. Com uma posição favorável que dá acesso a uma rua lateral do parque, o arquiteto cria espaços comerciais com diversas galerias em contato direto com a rua. Já nos outros edifícios, o térreo é um espaço livre, seguindo à risca o princípio modernista de deixar o térreo livre e elevado.

Torre de TV de Brasília – 1967

Torre de TV de Brasília, um marco na paisagem da cidade e na carreira de Lúcio Costa.
Torre de TV de Brasília, uma obra de Lúcio Costa. Fonte: Archdaily

Um marco na paisagem de Brasília e na carreira de Lúcio Costa é a Torre de TV, um edifício caracterizado por um volume de concreto com planta triangular e uma torre metálica no centro, cuja estrutura é sustentada por três pilares.

O diferencial desse projeto está no pensamento da estrutura por trás da obra. Os pilares têm um formato diferenciado em “V”, que criam dois apoios. Em sua parte central, os pilares recebem toda a carga do torre metálica e a sustentam. 

A Torre de TV totaliza 230 metros de altura e é a quinta estrutura mais alta do Brasil. Uma dica bem legal é que visitações são permitidas no mirante e no mezanino presente no edifício. 

Uma brilhante trajetória 

Linha do tempo retratando os marcos e as grandes obras de Lúcio Costa
Linha do tempo retratando os marcos e as grandes obras de Lúcio Costa. Fonte: Live

Com uma carreira consolidada e de destaque internacional, Lúcio Costa inspirou diversas pessoas com suas obras e ideologias modernistas. Faleceu em 1998, mas deixou seu legado marcado na história da arquitetura e do urbanismo brasileiro. 

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