Coliving, o que é essa tendência que chega ao Brasil?

A forma como o ser humano vive mudou drasticamente ao longo do tempo.

Deixamos de viver em pequenas tribos para viver em grandes metrópoles, com milhões de pessoas.

Muitos dizem que essa vivência em grande escala diminuiu, em muito, o senso de comunidade que já tivemos.

Mas se existe algo de constante no ser humano é a sua inconstância, sua capacidade de mudar e evoluir.

Assim uma nova forma de (con)viver ganha força, com um olho no passado e outro no futuro. O coliving.

Mas o que é coliving?

O coliving surgiu em 1972 na Dinamarca, mas atualmente vem se popularizando muito na Europa, Canadá e Estados Unidos.

Dentro do coliving os integrantes possuem um quarto particular ou, em alguns casos, existe a opção de compartilhar um quarto com outras pessoas.

Mas o principal dessa iniciativa são as áreas compartilhadas, como cozinha, biblioteca e sala de jogos.

Divirta-se com seus vizinhos nos momentos livres

Diferente dos prédios tradicionais o objetivo é que você realmente conheça e conviva com o seu vizinho.

Por exemplo, se você quiser usar a churrasqueira do seu prédio, você faz uma reserva e usa o espaço com exclusividade. No coliving não, os espaços são para todos, tudo é utilizado em conjunto.

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Por que assistir o filme sozinho se você pode juntar o prédio inteiro para isso?

A idéia é que as pessoas que moram ao seu lado não sejam somente isso, mas pessoas com quem você compartilha momentos de lazer, alimentação e relaxamento.

Os empreendimentos de coliving normalmente funcionam no modelo de aluguel de apartamentos, já mobiliados.

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Single Suite do Kasa, em São Paulo

Um diferencial desse modelo é a falta de burocratização, a maioria dos locais não solicita fiador, cheque caução e o contrato de aluguel pode ser feito por períodos curtos, às vezes de apenas alguns dias.

Viver em comunidade

O ser humano é um ser social. Desde os primórdios nos organizamos em grupos e essa união é apontada como um dos principais fatores que nos fizeram prosperar.

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Porque diferentes indivíduos carregam diferentes características, tornando o conjunto muito mais forte.

Recebemos novas informações, aumentamos nosso conhecimento e temos com quem compartilhar experiências prazerosas.

“A felicidade só é verdadeira se for compartilhada.”

Christopher McCandless

Mas quando existe um lado bom, existe sua contraparte.

Todos já vivemos em grupo, seja o da família, dos amigos ou do trabalho.

Todos sabemos que ao juntar diversas pessoas, conflitos podem surgir.

Por isso que a convivência precisa ter algumas regras, para que o caos não se instale.

Por exemplo, no maior coliving de Londres, o Old Oak, você deve lavar a louça que utilizou na cozinha comunitária. Caso não o faça uma multa de 150 libras será cobrada.

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Cozinha compartilhada do Old Oak, em Londres

Economia compartilhada

A forma como consumimos vem mudando, antes a ideia de utilizar algo estava intimamente relacionada com o fato de possuir esse algo.

Hoje um novo pensamento surge, o do compartilhamento.

Vemos isso no compartilhamento de carros, de escritórios e até mesmo da própria casa.

A idéia é pegar algo que você não usa o tempo inteiro e compartilhar com outra pessoa, dividindo os custos sem comprometer as suas necessidades.

A ideia dos empreendimentos coliving se apoiam muito nessa ideia.

Você precisa mesmo de uma Sala de Cinema ou churrasqueira só para você?

Talvez sim, talvez você queira a privacidade e o sossego que a exclusividade oferece. Mas talvez não, existe todo o tipo de pessoa.

Muitos empreendimentos optam pela estratégia de compartilhar os custos não apenas com seus ocupantes, deixando alguns espaços abertos para o público externo. Como restaurante, bar e academia.

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Academia do Old Oak, em Londres

Mas para quem isso seria atrativo e benéfico?

Como você deve imaginar, esse modo de vida é muito atrativo para estudantes e jovens empresários.

Mas outra parcela da população que se beneficia muito desse modelo são pessoas com idade mais avançada.

Lucilia Wuillaume, 58, em uma entrevista para o canal GloboNews, disse que fez mais amigos em 3 meses, morando em um coliving, do que nos 3 anos em sua residência anterior em Paris.

Pessoas que se sentem sozinhas e isoladas podem encontrar uma comunidade para criar novos vínculos afetivos, para compartilhar sua experiência e para receber a atenção que às vezes a família não oferece.

Um local para ouvir e ser ouvido.

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Faça novas amizades

Tendência

Acompanhando essa nova tendência a gigante dos coworkings, a WeWork, avaliada em 42 bilhões de dólares, entrou no mundo dos colivings.

A empresa lançou uma nova marca, o WeLive, que já possui dois condomínios de moradia compartilhada. Um em Nova York e outro em Washington.

Mas isso é só o início, a empresa já declarou intenção de abrir 14 empreendimentos ao redor do mundo.

Você pode alugar um estúdio, no WeLive, com diárias a partir de U$ 180,00.

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Bar no porão, do WeLive em Nova York

O coliving no Brasil

Este novo modelo de viver e conviver já começa a dar os seus primeiros passos no Brasil.

O condomínio Kasa se estabelece como o primeiro coliving do país.

Localizado na Vila Olímpia, essa torre de 21 andares trabalha apenas no modelo de aluguel, oferece 5 opções diferentes de acomodações e possui diversas áreas compartilhadas para seus moradores usufruírem.

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Cozinha compartilhada do Kasa, em São Paulo

Inspirado nessa tendência e observando a atenção que muitas pessoas de idade mais avançada demandam, a Cyrela Goldsztein criou o Vintage Senior Residence, em Porto Alegre.

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Sala de cinema do Vintage Senior Residence, em Porto Alegre

Um local onde, além das áreas compartilhadas, existe um pensamento voltado para atender todas as necessidades que aqueles na melhor idade possam precisar.

“Invertemos a lógica: em vez de o idoso sair de sua casa para ter cuidados especiais em uma casa de repouso, por exemplo, nós colocamos esses cuidados dentro de casa. É o conceito da sua casa cuidando de você”, concluiu Putinato, CEO da Cyrela Goldsztein.

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Quintal orgânico com aula de pintura, do Vintage Senior Residence, em Porto Alegre

Seguindo esse princípio, alguns empreendimentos, no Brasil, já disponibilizam espaços de coworking para seus moradores. Um lugar onde você pode trabalhar, desenvolver projetos e realizar reuniões.

Coworking ID Ibirapuera.
Coworking do ID Ibirapuera, em São Paulo

Esses espaços normalmente já vem com toda infraestrutura necessária, como ar-condicionado instalado, preparação para internet de alta velocidade, sem falar na decoração convidativa.

A ideia de espaços coliving gera sensações diferentes naqueles que o experimentam.

Alguns amam o senso de comunidade, outros relatam terem se sentido em um dormitório de universidade, mal administrado, para adultos.

Cabe a você descobrir o que combina mais com o seu estilo de vida no momento.

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