Cidade Matarazzo – Que prédio é esse?

    Cidade Matarazzo – Que prédio é esse?
    Beatriz Dilascio

    Por Beatriz Dilascio

    13 setembro 2022

    A Cidade Matarazzo está localizada no terreno do antigo complexo hospitalar do Hospital Umberto Primo e abrigará espaços culturais, comerciais e o primeiro hotel de luxo seis estrelas do Brasil.

    Será um espaço luxuoso, mas repleto de história, pois o complexo hospitalar é um bem tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico (Condephaat) e, por isso, muito da antiga estrutura ainda poderá ser reconhecida no projeto atual. 

    Saiba mais sobre a história da Cidade Matarazzo, como está o andamento do complexo atualmente e a idealização final dessa obra grandiosa. 

    O começo de tudo: o antigo Hospital Matarazzo

    O Hospital Humberto Primo foi construído em 1904, projetado pelos arquitetos italianos Luigi Pucci e Giulio Micheli. Ele ficou conhecido como Hospital Matarazzo, pois um de seus principais administradores era o conhecido Conde Francesco Matarazzo, e as pessoas começaram a associar o nome ao local. 

    O slogan utilizado pelo hospital era: “A saúde dos ricos para os pobres”, caracterizando o seu principal objetivo, que era atender os imigrantes italianos e seus descendentes. 

    Prédio principal do complexo hospitalar.
    Prédio principal do complexo hospitalar. Fonte: Flickr

    Além do prédio principal, ao longo dos anos, foram construídas novas edificações nos arredores, como: a Capela de Santa Luzia, construída em 1922, com o projeto assinado pelo arquiteto italiano Giovanni Battista Bianchi, e a maternidade Condessa Filomena Matarazzo, construída em 1943 por um pedido feito pela própria Filomena, esposa de Francesco Matarazzo. 

    Ambas as edificações possuem estilo Neoclássico para combinar com o prédio principal do hospital. A arquitetura neoclássica possui como característica as referências da arquitetura clássica grega, que busca equilíbrio, proporção e clareza nos edifícios.

    Outras novas alas também foram abertas, assim como novos edifícios foram construídos ao longo do século XX e, por sua arquitetura tão bela e significativa, em 1986, o Condephaat tombou todo o complexo hospitalar como patrimônio histórico da cidade de São Paulo.

    Sete anos após o seu tombamento, em 1993, o complexo hospitalar vai à falência e fecha as suas portas para o público e acaba sendo abandonado. 

    O surgimento da Cidade Matarazzo

    Após três anos do seu fechamento, o complexo foi comprado pela Caixa de Previdências dos Funcionários do Branco do Brasil (Previ), que, na época, tinha como intenção construir no local um shopping e um hotel de luxo. 

    Entretanto, não deram andamento no projeto, uma vez que, como falamos, as construções do complexo foram tombadas, impedindo a descaracterização da estrutura original e, por isso, a proposta não foi realizada e os edifícios foram abandonados novamente. 

    Com o abandono, pessoas em situação de rua passaram a ocupar os prédios, tornando-as suas moradias, para que pudessem se abrigar e viver ali.

    O tombamento dos edifícios do complexo

    Depois de alguns anos, já em 2011, o complexo foi comprado pelo seu atual proprietário, um empresário francês chamado Alexandre Allard. Ele realizou algumas negociações com o Condephaat para que eles pudessem permitir algumas poucas modificações na estrutura original e assim construir novos edifícios no local. 

    O complexo teve seus edifícios tombados pelo Condephaat.
    O complexo teve seus edifícios tombados pelo Condephaat. Fonte: Archtrends

    Após a liberação, mudanças e revitalizações começaram a acontecer. Ao todo, eram dez edifícios tombados em um terreno de 30.000 m² e as obras aconteceram em 2015, após o terreno ser palco do Festival de Rock na Cidade em comemoração aos 461 anos da cidade. 

    O futuro da Cidade Matarazzo

    A Cidade Matarazzo tem como principal conceito ser um oásis com todo o glamour que as grandes capitais possuem. Para ajudar nessa missão, Alexandre Allard reuniu alguns dos maiores talentos do mundo na arquitetura, na arte e no design, para que o complexo se tornasse um marco na paisagem paulistana.

    O complexo da Cidade Matarazzo é composto por diferentes edifícios, mas que conversam muito bem com a paisagem.
    O complexo da Cidade Matarazzo é composto por diferentes edifícios, mas que conversam muito bem com a paisagem. Fonte: Live

    O complexo da Cidade Matarazzo contará com um hotel, um centro cultural, 34 pontos de gastronomia, uma fashion megastore, que contará com mais de 70 marcas exclusivas, espaço para apresentações musicais e muito mais.  A previsão é que o complexo fique totalmente pronto em meados de 2023 e 2024.

    A primeira fase do projeto contou com a construção do Hotel Rosewood São Paulo, a Torre Mata Atlântica, a Capela Santa Luzia e o Edifício Ayahuasca. 

    Conheça alguns dos prédios do complexo Cidade Matarazzo

    A Cidade Matarazzo veio para revolucionar a cidade de São Paulo, com projetos inovadores e que acrescentarão e muito à região. Ao todo, são seis edifícios, sendo dois novos e quatro já existentes e reformados.

    Saiba mais sobre os edifícios da primeira fase do projeto: o Hotel Rosewood São Paulo, a Torre Mata Atlântica, a Capela Santa Luzia e o Edifício Ayahuasca!

    Hotel Rosewood São Paulo

    O hotel, mesmo com as obras ainda não finalizadas, já abriu suas portas pela primeira vez no começo de 2022. Serão 160 quartos e 100 suítes residenciais, porém, por enquanto, estão sendo disponibilizados apenas 46 quartos, os quais ocupam o prédio da antiga sede da Maternidade Condessa Filomena Matarazzo.

    Na antiga sede da Maternidade Condessa Filomena Matarazzo, estão os primeiros 46 quartos, já disponibilizados para hospedagem.
    Na antiga sede da Maternidade Condessa Filomena Matarazzo, estão os primeiros 46 quartos, já disponibilizados para hospedagem do Hotel Rosewood São Paulo. Fonte: Folha

    As suítes do hotel foram todas projetadas pelo designer Philippe Starck e contam com alguns mimos que os hóspedes podem levar para casa como lembrança do hotel, por exemplo: sandálias Melissa customizadas. Além disso, todos os ambientes são adornados com obras de uma coleção de arte de artistas brasileiros contemporâneos. 

    Assim que o Hotel Rosewood São Paulo já estiver operando com sua capacidade total, seus hóspedes poderão usufruir de uma unidade do spa Asaya, com terapias e tratamentos alinhados ao conceito wellness e mais seis novos espaços gastronômicos, entre eles o Le Jardin, o restaurante Blaise, o Taraz, o bar Rabo di Galo, o Emerald Garden e o Belavista Rooftop.

    Rabo di Galo, um dos seis restaurantes do Hotel Rosewood.
    Rabo di Galo, um dos seis restaurantes do Hotel Rosewood. Fonte: Folha

    Para quem quer ficar hospedado no hotel e viver a experiência de um hotel de luxo seis estrelas, as diárias giram em torno de R$ 7,5 mil, o que pode assustar algumas pessoas, mas ele foi pensado para atender a todos, então, mesmo que você não se hospede, tanto os seus bares quanto os seus restaurantes serão abertos ao público. 

    Torre Mata Atlântica

    A Torre Mata Atlântica foi projetada pelo arquiteto francês Jean Nouvel, é a primeira obra do arquiteto aqui no Brasil. Marcada por uma fachada imponente, a torre conta com 250 árvores adicionadas às suas lajes, criando assim um contexto que respeita a cultura e a vegetação nativa. 

    A Torre Mata Atlântica está conectada ao prédio da antiga Maternidade pelos caminhos de jardim. Ele conta com 22 andares e 122 suítes privativas, as opções variam de 112 m² até 519 m², com um ou dois pavimentos, onde os seus proprietários terão todos os serviços do Hotel Rosewood à disposição.

    A Torre Mata Atlântica foi projetada pelo arquiteto francês Jean Nouvel.
    A Torre Mata Atlântica foi projetada pelo arquiteto francês Jean Nouvel e já é candidata a ser o novo cartão-postal de São Paulo. Fonte: ArqSC

    A Rosewood possui a filosofia A sense of Place, que proporciona aos seus hóspedes uma experiência única de hotel-palácio, mas sem deixar de lado a cultura local. 

    O arquiteto diz que o projeto aponta uma direção para um novo tempo, em que teremos melhor qualidade de vida com cidades mais gentis.

    Por sua estética única, moderna e bem-pensada, a Torre Mata Atlântica já é candidata a ser o novo cartão-postal da cidade de São Paulo, assim como o MASP, o Edifício Itália e o Edifício Copan.

    Capela Santa Luzia

    A Capela Santa Luzia é uma igreja de 1922 e está localizada no terreno do complexo. O projeto da Cidade Matarazzo tinha como objetivo para a capela fazer a sua restauração, que ficou abandonada por 20 anos. 

    No projeto Cidade Matarazzo, existem oito andares abaixo de sua fundação e, por isso, durante essa construção, a igreja teve que ficar suspensa sobre um grande vão. A capela ficou apoiada em oito pilares que, ao total, atingiram 60 metros de profundidade, para que a nova estrutura fosse montada. 

    Durante as obras, a Capela de Santa Luzia ficou suspensa e apoiada em oito pilares para a construção de um subsolo.
    Durante as obras, a Capela de Santa Luzia ficou suspensa e apoiada em oito pilares para a construção de um subsolo. Fonte: Folha

    Esses andares abaixo da igreja abrigarão diversos espaços, como um centro de eventos e um cinema. 

    Após todo esse trabalho, foi dado início ao restauro. A Capela Santa Luzia está entre os edifícios tombados do complexo e era o edifício com mais restrições para reforma de acordo com o Condephaat e, por isso, era importante que as características originais da igreja fossem fielmente mantidas. 

    Restauro minucioso da Capela Santa Luzia

    O restauro começou então pela fachada da igreja, feita no estilo Neoclássico; imitando mármore, a técnica seguida foi chamada Scagliola, para que tudo ficasse exatamente igual ao projeto original. 

    Após a finalização da parte externa, foi dado início ao restauro interno. O altar da capela era feito de mármore e foi protegido no restauro, todos os detalhes de pintura foram recuperados fielmente ao original. As imagens sacras que lá haviam foram todas restauradas e recolocadas em seus lugares originais, o mesmo acontece com os bancos e outros objetos que lá haviam.

    Vitral da Capela Santa Luzia feito por Vik Muniz.
    Vitral da Capela Santa Luzia feito por Vik Muniz. Fonte: Fotografia Uol

    Ainda durante a restauração, foi descoberto que, sob as camadas de tinta, existiam afrescos originais da capela. E, ao consultar a planta original da capela, também descobriram haver uma previsão para a instalação de uma rosácea no alto do coro, mas que acabou não sendo concluída, portanto, após autorização, os restauradores incluíram um vitral feito pelo artista Vik Muniz.

    A reinauguração da igreja aconteceu em novembro de 2021 e celebrada durante uma missa presidida pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, e o Arcebispo Metropolitano de São Paulo instituiu o templo como sede da Capelania Ambiental de Santa Luzia, nomeando como Reitor o Padre Maurício Matarazzo Falcão, tataraneto da Condessa Filomena Matarazzo. 

    Edifício Ayahuasca

    Ao lado da Capela Santa Luzia, foi construído o Edifício Ayahuasca, um edifício corporativo que irá abrigar escritórios de empresas e instituições que promovem práticas ambientais, sociais e de governança. 

    Ao total, são 140 mil m² de área construída muito bem-distribuída, com o térreo e mais seis pavimentos totalmente destinados aos escritórios, além de oito pavimentos subterrâneos que abrigam o estacionamento e o centro de convenções. 

    O Edifício Ayahuasca foi projetado pelo arquiteto Rudy Ricciotti.
    O Edifício Ayahuasca foi projetado pelo arquiteto Rudy Ricciotti e conta com uma bela estética com concretos revestidos com trepadeiras. Fonte: Data Center Dynamics

    O Edifício Ayahuasca será o primeiro edifício da América Latina a utilizar o concreto de alta densidade, uma opção mais sustentável do que as utilizadas comumente, ela consegue reduzir em até ⅕ do consumo de água na construção. 

    A fachada do edifício foi assinada pelo arquiteto Rudy Ricciotti, sendo uma construção experimental, com aproximadamente 505 peças, com mais de 30 tipologias de forma, ela ainda terá concretos revestidos com trepadeiras naturais.

    Localização da Cidade Matarazzo

    A Cidade Matarazzo está localizada no bairro da Bela Vista. Conhecida como Pequena Itália, ela é uma das poucas regiões que ainda possuem fortes características do seu traço original urbano. 

    A Bela Vista é considerada um distrito que agrupa os bairros: Vila dos Ingleses e Bexiga, um bairro tradicional italiano que conta com ótimas cantinas, com as tradicionais macarronadas e outros pratos incríveis. 

    O bairro da Bela Vista visto de cima.
    O bairro da Bela Vista visto de cima. Fonte: Magik JC

    Muito tradicional, o bairro possui fácil acesso a regiões importantes da cidade, como a Avenida Paulista. Além disso, se for necessário se deslocar para outras regiões, não seria um problema, já que o bairro tem fácil acesso a diversas linhas do metrô, como a estação Brigadeiro Luís Antônio e a estação Trianon-MASP. 

    É a localização perfeita para a Cidade Matarazzo, pois o bairro está próximo a diversas opções de restaurantes e bares, além de ser a área perfeita para trabalhar e desfrutar de ótimos momentos de lazer.

    Visite a Cidade Matarazzo

    Apesar de não estar totalmente finalizada, já existem edifícios que podem ser visitados ou você pode passar por lá para ver as belas construções do complexo da Cidade Matarazzo. 

    Endereço: R. Itapeva – Bela Vista, São Paulo 

    Mapa mostrando onde fica a Cidade Matarazzo.
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    Conteúdo criado por:Beatriz Dilascio
    Arquiteta apaixonada por arte e decoração, sempre buscando por inovações e aprender cada dia mais.

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